SAFO (de Lesbos)

 

(nasceu por volta do ano de 612 a.C.)

 

A ÁTIS


Não minto: eu me queria morta.

Deixava-me, desfeita em lágrimas:

"Mas, ah, que triste a nossa sina!

Eu vou contra a vontade, juro,

Safo". "Seja feliz", eu disse,



"E lembre-se de quanto a quero.

Ou já esqueceu? Pois vou lembra-lhe

Os nossos momentos de amor.

Quantas grinaldas, no seu colo,

— Rossas, violetas, açafrão —

Trançamos juntas! Multiflores



Colares atei para o tenro

Pescoço de Átis; os perfumes

Nos cabelos, os óleos raros



Da sua pele em minha pele!

[...]

Cama macia, o amor nascia

De sua beleza, e eu matava

A sua sede" [...}



Cai a lua, caem as Plêiades e

É meia-noite, o tempo passa e

Eu só, aqui deitada, desejante.



— Adolescência, adolescência,

Você se vai, aonde vai?

— Não volto mais para você,

Para você volto mais não.

*Tradução: DÉCIO PIGNATARI*




A UMA MULHER AMADA


Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.

Sinto um fogo sutil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.

Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frêmito me abala... eu quase morro... eu tremo.

 

Música: Embers, com Enya

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