JORGE LUIZ BORGES

 

(1899-1987)

 

AQUI. HOJE.


Já somos o esquecimento que seremos.

A poeira elementar que nos ignora

e que foi o ruivo Adão e que é agora

todos os homens e que não veremos.

Já somos na tumba as duas datas

do princípio e do término, o esquife,

a obscena corrupção e a mortalha,

os ritos da morte e as elegias.

Não sou o insensato que se aferra

ao mágico sonido de teu nome:

penso com esperança naquele homem

que não saberá que fui sobre a Terra.

Embaixo do indiferente azul do céu

esta meditação é um consolo.



*Tradução de CHARLES KIEFEER*

 

Música: Libertando, de Astor Piazzolla

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