EZRA POUND




(1885-1972)

 



ENVOI



Vai livro natimudo,

E diz a ela

Que um dia me cantou esta canção de Lawes:

Houvesse em nós

Mais canção, menos temas,

Então se acabariam minhas penas,

Meus defeitos sanados em poemas

Para fazê-la eterna em minha voz.



Diz a ela que espalha

Tais tesouros no ar,

Sem querer nada mais além de dar

Vida ao momento,

Que eu lhes ordenaria: vivam,

Quais rosas, no âmbar mágico, a compor,

Rubribordadas de ouro, só

Uma substância e cor

Desafiando o tempo.



Diz a ela que vai

Com a canção nos lábios

Mas não canta a canção e ignora

Quem a fez, que talvez uma outra boca

Tão bela quanto a dela

Em novas eras há de ter aos pés

Os que a adoram agora,

Quando os nossos dois pós

Com o de Waller se deponham, mudos,

No olvido que refina a todos nós,

Até que a mutação apague tudo

Salvo a Beleza, a sós.

Tradução: MARIO FAUSTINO

 

Música: INST_yanni_beforeigo_plyjau.mid

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