VIAGEM PARA O SONHO

Ligi@Tomarchio®

 

Eu não conhecia Barra Bonita, interior de São Paulo.
Durante a viagem, grandes plantações, terras sem fim. Não entendo como pode existir gente ainda sem terra...devaneio... Dia lindo, céu, sol, ar, música perfeita, meu companheiro ao lado, estrada tranquila...
Será que todos viajantes estavam realizando um sonho...?
Eu sim. Viajava em pensamento, imaginava, temia, tremia.
Dia claro ainda, avistei o rio Tietê, imenso... Pescadores, uma ponte, um grande jardim, grandes embarcações. Um dia nosso Tietê da capital foi assim!
Cidade turística vazia e meu coração repleto de sentimentos contraditórios.
Hotel simples, onde nos hospedamos e muito agradável. Minha amiga, de recife, Zena, ainda não chegara. Aumentava a ansiedade. Melhor passear e conhecer a cidade onde dia seguinte seria a grande festa.
Rio generoso, não fazia dos pescadores mentirosos. Grande quantidade de peixe em poucos minutos de observação. Jantar garantido para o povo mais simples da cidade.
Fotografei na memória o crepúsculo nas águas do Tietê, passando, o cantar da noite...
Estávamos no restaurante à beira rio, quando surgiu Zena e Sérgio Grigoletto. Foram segundos de pura emoção em que nos abraçávamos, nos conhecíamos pessoalmente, porque de alma e coração já éramos velhas amigas. Sérgio, um cavalheiro. Sensível e alegre. Logo foi nos apresentando a outros participantes do evento. Poetas e escritores de todos os extremos do país. Eu, ali em estado de graça. Flutuava enquanto ouvia Zena contando da sua aventura sozinha desde Recife, e via seu sorriso, seus olhos grandes, seus cabelos loiros... Cansados fomos todos dormir.
Duas horas da tarde, após o almoço com Sérgio, Zena, Suyan e Ângelo, meu marido, partimos com uma grande embarcação para o passeio na Eclusa de Barra Bonita. Sensação estranha. Um elevador de águas fez aquela grande nau, subir metros para continuar o passeio. Garças esperavam as águas baixarem para saciar a fome. A descida menos desconhecida, acalmou minha ansiedade. Mais tarde, estaríamos no mesmo barco para a esperada festa!
Enquanto me vestia, percebi como foi fácil chegar até ali. Visitei um Site, Clube dos Amigos das Letras, de Sérgio, me inscrevi com um poema e uma prosa. Semanas depois recebi a resposta e críticas positivas dos meus textos e o convite para participar da Antologia, que mais tarde, após uma votação entre os participantes, levou o título de “Mosaico”. Todo processo durou uns seis meses apenas.
Entre fotos e fleches, me acostumei com a fama passageira. Muitos autógrafos, poema a cinco mãos improvisado, sorrisos largos, vinho, música, discursos, elogios... Livros, muitos livros... Minha primeira crônica publicada em livro não virtual, "A Mão que Escreve".

12/04/2003

 

 

Música: Adagio In C Minor, by Yani

 

 

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