POR QUE DIABOS O ESCRITOR ESCREVE?

Ligi@Tomarchio®


Muitos demônios podem levar alguém a escrever.
Amor, solidão, rancor, indignação, dor, tesão, êxtase, depressão, melancolia, paixão, horror, compaixão, morte!
Existe um demônio dentro dos escritores. Demônio que transcende qualquer expressão já conhecida. Algo mágico, latente, universal, onipotente ou, às vezes, cruel.
Coloca-nos exposto e impotente diante do real. A perplexidade
nos domina. Faz com que nossas raízes sejam rompidas, arrancadas violentamente, como se nos faltasse o chão sob os pés descalços!
O ar nos é negado, sufoca, arrebata, consome, dói, humilha,
insatisfaz!
Voraz vontade, que nada mais suporta!
Nos reporta a longínquos tempos... Vemos amor onde há dor, cremos no nada, questionamos a existência, surpreendemo-nos com a hipocrisia!
Hipócrita aquele que não crê no irreal!
Tudo se confunde, difunde emoções...
Fantástico ser que escreve!
Fanático escritor que fantasia!
Escreve a fantasia de nunca ter deixado de ser livre!
Fascina-se com o irremediável. Deleita-se com o medo de ser amado. Suporta o fel da incompreensão. Desnuda-se sem pudor.
Entrega-se a mornas emoções contidas, escusas, quase corroídas pelo tempo, sem tempo!
Um escritor, milhares de demônios há de ter, sem dúvida, guardados a sete chaves. Somente quando escreve, consegue libertá-los. Ou será que só escreve quando libertado está? Ou ainda, sendo livre, escreve? Quem sabe, talvez, a liberdade esteja nas entrelinhas do texto? Porém, só estará gozando de plena liberdade, aquele que obtém resposta, quando da leitura por outrem, do que escreveu!
Liberdade irreverente, arrogante, inquietante, que surpreende o leitor!
Ora incompreendido, louco, ora contemplado pela crítica cruel!
Escrevo porque muitos demônios atordoantes rondam minha mente quase insana. Uma vontade convulsa se apodera do meu ser insignificante. O amor explode, a paixão corrompe e rompe barreiras da fantasia! Sei que corro o risco de ser tragada pelo nada, ao não suportar ser incógnita ou nunca conseguir atingir meus leitores.
Não sei se escrevo por amor, com amor, para ser amada ou ser feliz.
Apenas sinto um grande alívio, uma leveza flutuante, quando consigo concluir uma idéia com palavras escritas, com sentimentos sinceros, livres de repressão, compreensão. Explosão!
Para mim, escrever é desabafo, autoterapia, descoberta do ego escondido na escuridão pós-crepúsculo, ausente de luar e estrelas no firmamento, infinitos conflitos!
Talvez loucura ou medo do suicídio?...

 

 

 

 

Música: Ballade nº1 in G Minor Op.23, by Chopin

 

 

 

 

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