Thereza Mattos

Nasci em São Paulo, numa madrugada do dia 13/11/1931 no bairro do Braz. Não sei a hora, porque naquele tempo todos nasciam em sua própria casa e ninguém se deu o trabalho de anotar. Filha de portugueses, um casal muito batalhador , vim a luz na moradia que havia em cima de um dos armazéns de meus pais. Minha mãe havia chegado algumas horas antes do outro armazém do qual estava encarregada. Eles já não esperavam outro filho, pois minhas irmãs já eram moças. Assim fui a raspa do tacho do casal de portugueses. Aos nove anos nos mudamos para o Ipiranga, onde resido até hoje ao lado do Museu e se Deus quiser até o fim de minha vida. Amo com paixão o meu bairro, pois estou sempre há poucos metros de onde foi proclamada a nossa Independência. Estudei até o segundo ano do curso clássico. Meu pai era muito exigente nos estudos e como minhas irmãs, nos obrigou a estudar piano e violino. Aos vinte anos me casei com meu primeiro namorado, por quem sou apaixonada até hoje. Foi um dia lindo em 22/12/1951... Fomos passar nossa lua de mel em Santos. Um ano depois nasceu minha primeira filha, Maria Helena. Depois nasceram, Marco Antônio. Márcia Regina e Maurício. Todos eles tem três anos e meio de diferença entre eles. Sempre gostei de pintar e desenhar, assim quando meus filhos abandonaram meu ninho, ficando só o caçula, fui estudar pintura, em 1983. Participei de muitas exposições e ganhei algumas medalhas, inclusive uma de ouro.
Curiosa, entrei na Net, para poder me comunicar com alguém. Fiz muitos amigos no bate-papo da UOL, e até hoje ainda trocamos e-mails. O primeiro convite para expor minhas telas num site, partiu da Marici Bross, no Portal do Archote. Ficamos muito amigas e daí conheci mais e mais pessoas maravilhosas. Cada pessoa que conhecia me tornava amiga inseparável de todos os dias. Acho que os amigos virtuais são sensacionais, pois eles não tem receio de exprimir seus sentimentos e as vezes nos tornamos confidentes de seus mais íntimos segredos. Um dia a Marici escreveu sugerindo que eu tentasse compor uma poesia. Na verdade eu tinha escrito alguma coisa em algum lugar que estava perdido em algum canto...Procurei e achei! Era uma poesia escrita para meu marido, na minha lua de mel...Dei uma melhorada nas frases e enviei a ela, Marici. E assim comecei a tentar escrever o que acontece até hoje. Sinceramente não me considero uma poeta de verdade. Fico surpreendida quando recebo elogios. Assim é também com minhas telas. Acho que sou um pouco exigente demais . Sou espiritualista sem contudo me prender a nenhuma doutrina . Aceito todas as religiões e tiro delas o que condiz com a minha verdade. Não sou uma "senhora" conformada e acomodada. E acho que jamais serei. Meu espírito as vezes me prega algumas peças, pois é infantil ou no máximo muito jovem. Mas meu marido também apaixonado por mim eternamente, diz que isso é o meu charme. Assim meu espírito não combina com minha matéria de maneira alguma. Sou feliz e agradeço a Deus por tudo que tenho recebido...Amo a frase de Collins " Na prosperidade nossos amigos nos conhecem...Na adversidade, nós conhecemos os amigos".

Semente de Amor

A semente que plantastes em mim
Fez meu rosto de luz resplandecer
Meus olhos em brilhantes se transformou
Fez a chama da paixão se acender
Em calma meu coração ficou
E comigo alguém mais amanhecer...

Bordastes com sonhos prateados,
Tecidos com fios de luar,
Todo meu corpo nu e encantado
Envolto na mais linda nuvem de ternura
Vestida assim para te amar
Coberta apenas na paixão mais pura...

Não pude minhas lágrimas conter
Sugadas pelas dobras do meu travesseiro,
Meu coração se abriu terno e calado
Ofereci meu corpo para o cativeiro
Prisioneiro, escravo e apaixonado...

Não olhei o tempo e a hora
Tudo o queria estava ao meu lado
Amanhecendo o dia, surgindo a aurora
Sem ti para mim o tudo é nada
Que importa o que vai lá fora
Se é noite ou dia ou mesmo madrugada...

 

UMA NOITE DE SAUDADE

AO SOM DESTA LINDA CANÇÃO
CORPOS ENLAÇADOS
ROSTOS COLADOS
CORAÇÕES DISPARADOS
NA MAIS INSANA PAIXÃO
SENTI O ARFAR DE TEU PEITO
E NUM GESTO IMPENSADO
MESMO UM POUCO SEM JEITO
TE OFERECI MEUS LÁBIOS
MEUS BEIJOS... MEUS DESEJOS...

BEIJASTES MEUS CABELOS
APERTANDO-ME MAIS E MAIS
TUAS MÃOS PERCORRIAM MEU CORPO
PENSEI EM VOLTAR... TARDE DEMAIS...
A MÚSICA NOS ENVOLVENDO
A PAIXÃO SEMPRE CRESCENDO
PERCEBESTES MEUS ANSEIOS
TOCASTES DE LEVE EM MEUS SEIOS
E SEM MAIS NADA PENSAR
RESOLVI ME ENTREGAR...

PERTENÇO A ESTE HOMEM
NÃO VIVEREI JAMAIS
SEM SEUS CARINHOS PROFANOS
PRIVANDO DE MEUS MOMENTOS
LEMBRANDO POR MUITOS ANOS
MESMO QUE NÃO O VEJA MAIS
ESTA NOITE ENCANTADA
QUE JAMAIS ESQUECEREI
O QUANDO ME SENTI AMADA
E ARDENTEMENTE DESEJADA...

 

Meu Navio

Do teu corpo faço meu porto
o cais dos meus desejos
onde ancoro meu navio de beijos
minha âncora de carícia
afagando teus cabelos
com amor e com malícia...

Um a um tiro meus véus
desnudando meu corpo, minh´alma
sinto-me em todos os céus
e tudo em mim se acalma
Sorvo a doçura do mel
mas também o amargor do fel...

E nesse estranho momento
ouço o sibilar do vento
levando-me pelo mar afora
minha velas.... levanto...
molhadas com triste pranto
está na hora
recolho a âncora
e vou embora...

 

http://planeta.terra.com.br/arte/magiaepoesia/

 

Música: Reminiscence of Childhood, by Ernesto Cortazar

 

 

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