Theca Angel

Lágrimas

 
O rosto mantém-se impassível
A lágrima rola
Fraca, ela não consegue
Levar a imensa tristeza embora
Lágrima do peito nascida
Triste lágrima sentida
Pobre retrato esmaecido
Dos nossos sonhos...
De tantas lembranças...
brasa incandescente da saudade
dos abraços loucos, dos beijos,
momentos de ardentes desejos
incontidas alegrias, risos soltos.
Lágrimas que saem num aperto
como um soluço contido,
Escorrem e marcam a face
Que um dia foi tatuada
Por esses teus lábios sem pejo,
Traçando cálidos caminhos,
Tirando - me o fôlego
E em espiral desalinho
Deixando meu corpo fremente
Entregue...exangue,delirante
Lágrimas...
Que já foram reprimidas
e que ainda escorrem no silêncio
Mas que hoje descem em torrente
Não mais conseguindo esconder
Esta dor que destrói, que é lancinante.
Lágrima...
de meu peito nascida
Que já escorreu feliz um dia
Quando a tua vida era a minha
Quando nossos corpos se uniam
Entrelaçando-se em gozo
Fazendo das madrugadas
Confidentes emudecidas
Lágrima...
de suspiros acompanhada
Dolorida, magoada
Pedaço de um coração
Que sofre o desalento, calado
Lágrima...
algoz, desabafo e companheira
que se esvaindo, desnuda
Os mais escondidos recantos
Nascentes de todo meu pranto

 

Amor em Palavras

Amor em palavras
Em versos, com rimas
Amor que vivi
E agora acabou.
Amor em frangalhos
Em toscos retalhos
Foi só o que restou
Colocado nos versos
Que agora escrevo sem rimas
Com parcas palavras
Regadas por lágrimas
Amor que era lindo!
Agora é tão triste
Tua lembrança ir buscar
Amor adolescente
Puro e imprudente
Que parecia infinito
E...tão depressa acabou!
Seguindo sua sina
Deixou indeléveis
Seu sinal,em mil marcas
No meu coração
Amor tão bonito!
Cantar nestes versos
A dor que ficou
É recordar a beleza
De sua passagem
Em nossas vidas tão jovens
Amor que passou...
Amor que foi louco
Mas tão doce, fogoso
Nos beijos selados
Carícias roubadas
Na brasa dos corpos
Ansiosos, sedentos
Por se conhecer
Amor respeitoso
Tormento gostoso
Cedendo e negando
Nunca se consumando
Amor que foi lindo
Mas que um dia findou.

 

Amor em Palavras Contido

Amor cruel
Busco por ti entre as galáxias
Que povoam as minhas noites insones
Busco-te entre as nuvens
Sopradas pelos ventos,
onde tua luz escondes
Busco-te nos prados, nos campos
Entre os raios do sol e entre os pirilampos
Busco-te sem cessar até mesmo
Para além da impenetrável chama fremente
que consome teus acordes profanos
Preciso encontrar teu corpo
Pois teu espírito, já dentro de mim está!
Quero poder tocar tuas mãos
Olhar em teus olhos,
Além da aparente
Fluência de teu versejar
Deste teu Amor em Palavras contido
Em doces versos e encantadas canções.
Preciso descobrir se o que existe
Em teu coração é só paixão,
ou algo tão profundo que não ousas revelar.
Serão, talvez somente muitos sonhos
Envoltos em híbridos véus de ilusões?
Devo encontrar-te para desvendar o ser
Que se esconde sob tua mente
Pois mesmo ansiando ser viajante
Não rompes as amarras
Que atado te mantém.
Só assim poderei entender realmente
Se teus versos
São razão ou coração.

 

Música: Noturno de Chopin

 

 

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