Suyan de Oliveira de Melo Faria

Soneto da Consciência em Plenitude

Insensível ao abismo a que é presa
(Companhia astuta, vil, vacilante)
Segue em inconstância obscura, perante
Um vaguear chão que é única certeza.

Mas um dia se achega à sua vagueza
(Encontro manso, mas desconcertante)
Um tormento, remédio impressionante:
Ciência plena – redenção e estranheza.

Medicada, já não vive iludida
(Impulsionada ao acaso, sem afãs):
Posta-se, então, com nobreza a criatura.

Ardente em tentativas – mesmo vãs
Tanto mais o tormento se afigura
Mais roga: atormentada seja a vida!

 

Soneto a Vinícius de Moraes

De que forma, enquanto trivial, ser indizível?
Explica-me, Poeta, tão sublime paradoxo!
Sinto-te cruel porque inatingível
Todo escárnio, nenhum remorso.

Não sentes, oh Poeta, culpa de nada
Nem de saber-me cortando o país
Levando na alma a missão (in)feliz
De afogar-te em pétalas a fúnebre morada.

Por piedade, Vinícius! De remorsos não há resquícios?
Nem de teres em mim este ser todo suplício
(Que sabes, furtivo, meu mais esplendoroso sacrifício)?

E que valem, miseráveis pieguices, minha melhor abstinência
Tão aquém – de ti – estão as suas rimas (ah, indulgência!)
Tão desesperada de amor é sua essência.


*Poema publicado na Antologia Mosaico
http://www.clubeletras.net/237.html

 

 

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Um brinde!
À aghonia sobre-humana
da opção pelo triste
da procura às cegas
da fluência convulsiva
do gosto obsessivo
da razão atípica;
de extremos horrendos:
sobriedade implacável
desespero metafísico
angústia maldita! Bendito o
desassossego que efetiva a vida!

 

http://www.clubeletras.net/859.html
http://www.clubeletras.net/609.html

 

Música: Madalena, de Ivan Lins

 

 

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