Rosimeire  Leal  Motta

 Técnica em Ciências Contábil e Professora, nasceu em 16.06.1969 no município de Vila Velha, no Estado do Espírito Santo. É criativa, gosta de pesquisar, descobrir e analisar. Além da literatura aprecia a História e a Arqueologia. Deus está em primeiro lugar em sua vida. Começou a escrever aos 15 anos, seguindo o exemplo de sua mãe que usava a escrita como uma maneira de expressar seus problemas pessoais. A outra influência foram os livros, pois por ter sido tímida, passou a maior parte de sua adolescência lendo. Desenvolve o estilo Simbolismo, onde a vida interior é revelada por meio de símbolos. Existe a postura romântica, centralizada no "eu", explorando as camadas mais profundas do subconsciente e inconsciente. Ela não sabe explicar como adquiriu este estilo, possivelmente deve ter sido porque sempre foi tímida e tinha vergonha de falar sobre si de maneira clara e então inconscientemente, usava objetos materiais e abstratos para representar o que sentia. A Inspiração não tem hora para chegar; quando está triste os textos brotam com maior facilidade, mas, a encanta olhar uma foto, imagem ou desenho fixamente, analisando o que vê, o que está lhe transmitindo e os sentimentos ocultos. Para ela, ser poeta é um dom que a pessoa tem, que a torna capaz de transformar letras em sentimentos.

A MORTE DO PASSADO

Uma casa em estilo colonial

telhado marrom escuro, paredes brancas, janelas e portas azuis.

Na entrada da moradia uma escada de granito.

No primeiro degrau, olhando para baixo

estava uma senhora.

Observava seriamente o visitante recém-chegado.

O seu passado tocou a campainha e aguardava.

Ela hesitava em descer e abraçar este seu velho conhecido.

Não se atrevia a dizer-lhe que se aproximasse.

O fitava nos olhos, não se envergonhava dele.

Ele, silencioso, desfilava diante dela situações marcantes,

a conduziu a uma viagem interior

a levando ora ao sorriso, ora as lágrimas.

Trouxe todas as malas, veio para ficar.

Ela afastou-se dois passos.

Como um fantasma ele foi subindo lentamente.

Ela continuou a andar para trás sem se voltar e subitamente gritou:

__ “Pare! Você não tem controle sobre mim!”

E o empurrou escada abaixo.

O passado se partiu em mil fragmentos.

O vento espalhou várias partes por todos os lados.

Choveu, molhando e apagando seus rastros.

A senhora triunfante abriu a porta,

e a fechou com estrondo atrás de si.

O passado recuou na linha do tempo

retornando a época a qual pertencia...

 

TEMPESTADE DA VIDA

Era a árvore mais bela da floresta.

Suas folhas formavam uma linda copa.

Seus frutos muito doces.

Os pássaros disputavam seus galhos.

Cada ser da natureza tem sua história,

esta, seu dossiê é demasiado triste.

No auge da juventude

devastaram a mata ao seu redor.

E então, primeiro rarearam seus frutos,

depois, o vento arrancou suas folhas amareladas.

Não mais recebeu sol e água.

Seu tronco se deformou...

O ar se tornou poluído...

A região se transformou num deserto...

Perdeu o vigor de existir.

Sua beleza se desgastou,

envelheceu precocemente

A tempestade da vida pesou sobre ela.

Já não era mais ela,

e sim, uma caricatura do que foi um dia.

Um viajante que outrora passara por ali

e descansara a sua a sombra,

diante dela tirou o chapéu da cabeça,

com as lágrimas escorrendo pela face, perguntou:

__ “O que aconteceu com você???”

 

 

TIRANO INTERIOR

Um ser invisível ao olhar humano,

usando chapéu e capa pretas até os joelhos,

com a mão esquerda segura a mão direita de uma mulher.

Ela está trajando vestido verde claro,

está grávida, no final da gestação.

As paredes ao redor de ambos são vermelhas.

Ele está com a mão direita erguida para o alto,

como quem diz: “Pare!”

Ele escuridão, obstáculos, opressor.

Ela esperança,

o sangue corre em suas veias, tenta viver.

Um candelabro de cristal dourado paira sobre eles,

sua função é derrotar a insegurança.

Ela não o vê, apenas sente o peso de seus atos sobre si.

Opressão, que dificulta seu crescimento pessoal.

Este vulto vigia seus passos,

a persegue por onde ela for.

São seus preconceitos, seus temores interiores,

normas arcaicas que a sociedade lhe impôs,

e a impede de seguir adiante.

Barreiras que lhe impossibilita ser ela mesma.

Do seu ventre nasceu a revolta,

fruto de uma prisão no recôndito do seu íntimo,

que explodiu e estraçalhou a redoma que a envolvia.

Assassinou o tirano interior.

Saiu correndo e abriu a porta da vida,

mas, ficou parada segurando a maçaneta e olhando para fora,

com medo da liberdade do pensamento.

 

*Breve comentário da autora*

- A morte do Passado : (Eu ficava pensando em coisas do passado, era quase uma tormenta, mas um dia consegui parar de pensar nas coisas tristes e ruins que já me aconteceram...)


- Tempestade da vida : (Foram tantas coisas tristes que me sucederam que amadureci (e envelheci) um pouco...


- Tirano Interior : (Sofri muitas influencias negativas, normas arcaicas que me causaram muitos temores durante toda a minha vida, mas um dia me senti livre de toda opressão interior, mas fiquei parada sem saber o que fazer com a minha liberdade de pensamento de tão acostumada que estava com a minha vida anterior...)


*A Música que mais gosto é do filme Fernão Capelo Gaivota: "Lonely Looking Sky" (Neil Diamond) ( ligue o som). Talvez eu seja um pouco como o Fernão Capelo Gaivota que fugiu de casa para encontrar a liberdade, mas a diferença entre ele e eu é que eu ainda não voltei para casa... fugi em busca de mim mesma, mas ainda não me encontrei...

 

http://www.rosimeiremotta.com.br/

 

 

Música: Lonely Looking Sky, by Neil Diamond

 

 

Voltar Menu

 

Art by Ligi@Tomarchio®