Rosangela  Aliberti

Rosangela Aliberti, paulistana, italo-brasileira. Atuou como técn. em química na área de Metalurgia; psicóloga clínica Pós Graduada em Hospital Geral (Hospital das Clínicas FMUSP), atuou como coordenadora em Instituição dando apoio às Escolas Públicas. Atende pacientes com ou sem florais. Começou a retirar das agendas e gavetas os escritos há seis anos quando residia em Stuttgart. Atualmente tem trabalhos editados na internet:
www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br em sites de escritores da rede e Antologias Poéticas, integrante da Oficina de Rascunhos Poéticos na Casa das Rosas em São Paulo capital, desde 2005.


Ensina-me...


Ensina-me a não banalização da vida com poesia
Ensina-me a dobrar as falsas margens das más espirais do tempo
Ensina-me a não quebrar as estatuetas "preciosas" dos que julgam...
[e julgam]

Ensina-me a voar nas asas dos sonhos do vento
Ensina-me a navegar sobre a geografia poetica_mente
Ensina-me a beijar no dorso das nuvens junto aos fatos reais

Ensina-me a enxergar o brilho do florescimento dos topázios
Ensina-me a separar o joio e colher o trigo sob a luz das estrelas
Ensina-me a dar valor a todas as flores nos jardins com coragem

Ensina-me a não abandonar as casas modestas
Ensina-me a fixar o olhar dos anjos fornecendo colo aos desertos
Ensina-me a não sorrir perante os cometas decadentes

Ensina-me a sentir o calor das transparências nas linhas das tuas mãos
Ensina-me pisar nas brasas calejando a sola dos pés sem derramar
[tantas lágrimas]
Ensina-me deitar palavras sobre os tapetes verde-esmeralda

Ensina-me a admirar tuas fagulhas... sol em dias nublados
Ensina-me a queimar por dentro diante dos ecos da última rosa
[no outono]
Ensina-me a não tomar a pena colorida ou não em vão

Ensina-me a me tornar A costela que voltará ao pó na terra dos Adões

 

Rosangela_Aliberti
 

 

 Está quente, está frio ou está morno?

A cor negra, pode ser vista como ausência de cor em alguns aspectos é sinal de perdas, em alguns países ao contrário do Japão, branco é luto; para um pintor a cor negra ‘perfeita’ é obtida com a junção do azul intenso (onda de alcance curto) em geral unindo outras duas tonalidades. Se tudo fosse branco a vida com certeza seria bem monótona, o branco recordando o Disco de Newton é obtido através da junção das cores do arco-íris podendo "carregar" o símbolo da "pureza".

Branco, preto, são neutros assim como alguns tons acinzentados e amarronzados. Se a indiferença tivesse uma cor qual seria?

E a transparência teria seus próprios níveis...?

Posições do corpo


Sob o azul
sobre o azul

subazul
subsol
subsolo.

Cassiano Ricardo

...

Interessante que a vida nos ensina a ler poesias em todos os sentidos, procurando um lado para se notar o azul (uma cor considerada fria) que ao se misturar com as ondas fortes (vermelhas) o vermelho nos remete a impulsos enérgicos e com o controle do azul o resultado recai no: Roxo.
Roxo de dor... roxo de luto/com_paixão... roxo em busca das reservas de proteção.

Bizarro se verificar a necessidade momentânea das pessoas em: ouvir, falar, ler, escrever, pesquisar, pintar, fotografar... ver algo que diga a respeito ao "bem", quando se necessita instintivamente reduzir as doses
de maldade ou acrescentar mais pitadas de "bem" dentro de si; tanto quanto a necessidade de ouvir, falar... enxergar algo sobre o "mal" para despertarem um pouco mais do que é "vil" ou talvez estejam tateando no restante do bem que possa existir dentro de si. Claro que, aqui também estamos nos referindo aos movimentos das tensões e das intenções intrínsecas, afinal o ser humano em primeiro instante necessita convencer
a si mesmo de alguma coisa. Há pessoas que não percebem bem este movimento interior procurando respostas reflexos nos espelhos dos outros, como se a roda estivesse girando em busca ou em torno de alguma cor.

Um dia me disseram: quando você "lê" algo que remete a sentimentos positivos ou de bondade é porque você deseja fixar ou compreender o que é o Bem (?) ...um "lado bom" que pode ou não estar sendo fixado no
que diz respeito a organização da Flexibilidade, onde o ser humano é inteiramente responsável ao que se relaciona com o seu mundo interior.
Não vou me estender ao mal, pois o lado sombrio é nato no ser humano. Como diria André Guide: "É muito mais fácil liderar homens ao combate de guerra do que acalmá-los e dirigí-los para o paciente e doloroso parto da paz." Nem sempre o que é bom para mim pode ser ideal para o outro, duvide sempre que "todas pessoas" possam lhe amar, pois há fases em que as próprias pessoas não se amam. Até o verbo amar é digno de admiração, como amamos? Como gostaríamos de sermos, amados.

Um "belo dia" se descobre que falar e soletrar frases como se fossem versículos bíblicos, é muito diferente do que sentir todas as cores girando em torno da pele, cuja a "percepção" embaçada passa por cima de como gostaríamos que fossemos tratados.

Às vezes se pode passar os olhos em "textos" com a nítida sensação de nos vermos mergulhados em um mar vermelho (quente!), outros não nos dizem absolutamente nada, outros parecem que se confundem com as nossas emoções, outros nos aliviam... alguns avaliam nosso índice de compreensão e assim por diante... São textos que "batem" com determinados momentos de vida, os quais pintamos as cores que nos são próprias... a luz do fim do nosso túnel recai em: morte, estagnação ou "vida" de acordo com as cores que pintamos o que há ao nosso redor indo de encontro com a "harmonização" de nossos estados internos, na balança compondo o
espectro de luzes suficiente para o nosso presente: EQUILÍBRIO.


Rosangela_Aliberti
 

 

O TAO

por detrás de toda janela aberta
há um convite
para mais de duas notas musicais
que somente os olhos das Crianças
dos anciãos e a alma dos pássaros
conseguem decifrar...

gato: entre a indiferença exacerbada
Olhe como se fosse um cão

cão: entre a amabilidade excessiva
Olhe como se fosse um gato

gato: entre o individualismo egoístico
Olhe como se fosse um cão

cão: entre a fidelidade extremamente melosa
Olhe como se fosse um gato

gato: entre a insociabilidade solitária
Olhe como se fosse um cão

O TAO
'tal dono, tal cão'
'tal gato, tal dono'

por detrás de toda janela aberta
há um convite
para mais de duas notas musicais
que somente os olhos das crianças
dos anciãos e a alma das aves
conseguem decifrar...


Rosangela_Aliberti
 

www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br

 

Música: Gophinatha Shri Namarita

 

 

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