RRMM - Roberto Romanelli Maia



QUERIA...

Queria, todos os dias, poder te transmitir
todo o meu amor,
sofrido, incontido, infinito...

Queria poder enfrentar, de peito aberto,
as tristezas e adversidades,
para, sem alarde, chegar de mansinho,
junto ao teu corpo
e, com carinho, nele me instalar
para tantos prazeres poder te dar...

Queria poder te amar tanto ,
de todas as maneiras e jeitos,
sem dúvidas, exigências, cobranças...

Queria mesmo acreditar
que ainda existe o sentimento,
verdadeiro e sincero,
do tipo natural e animal,
sem meia entrega e sem hora, nem lugar
para se, realmente, amar...

Queria ver amantes e cúmplices
esquecerem rotinas e lugares comuns,
de um amor burocrático,
para se entregarem as chamas vulcânicas
de uma verdadeira e incontrolável paixão...

Queria entender porque,
entre os que se querem e se amam,
após tantos orgasmos vividos e sentidos,
deve vir, necessariamente,
a calma, o afastamento e o descanso...

Sim, queria saber...

Queria, também, ter alguém ao meu lado
sem que o tempo ou a distancia
pudesse, desse meu amor, me afastar...

Nem apagar tantos momentos e realidades
que permanecem e, certamente,
por toda a vida,
estarão ocupando espaços em meu coração...

Pois dentro do meu ser
o meu amor continuará sempre vivo e presente...

A espera de você... que pode ser o meu amor...

Sim, queria saber...

Você é?...

 

A TUA CHEGADA

Sim, querida, aguardo a tua chegada
como um vento inesperado,
que invadirá a essência dos meus sonhos
e arrastará as nuvens de minhas tristezas
para o céu do teu olhar...

Sim, você trará toda a tua encantadora magia,
a tua luz e o teu brilho,
para a minha existência,
e descobrirá todas as minhas expectativas
e todos os meus sonhos e desejos,
ainda contidos e reprimidos...

Sim, você me fará esquecer a tristeza e o pranto
que como chuva
tanto abafou e diluiu
as minhas esperanças de, novamente, ser feliz...

Sim, você chegará
para que eu não mais sinta
o toque e as pinceladas do sofrimento e da dor...

Sim, você será a surpresa,
que saberá encontrar,
nos meus trapos de esperança,
as portas e as janelas abertas
que, durante tanto tempo,
se mostraram e se encontraram, cerradas...

Sim, você saberá
descerrar as cortinas,
que, até a tua chegada,
me fizeram refém da solidão,
cercado por tantos silêncios
e porquês ensurdecedores...

Sim, você afastará as sombras,
que ocuparam espaços,
ao meu redor e no meu interior...

Sim, você irá vasculhar a escuridão,
onde ela reinou soberana, até a tua chegada,
para descobrir um mágico e único amor,
dentro de minha alma e de meu coração...

Sim, com você, ainda, em passos titubeantes
eu irei sair do deserto
em que vivi prisioneiro,
preso com a minha solidão...

Sim, e lá fora,
o dia e a noite chegarão, como de costume,
mas você saberá afastar deles
qualquer vislumbre de tempestade e de tormenta...

Sim, você me fará ver
a imensidão de teu amor
e me afastará deste completo breu
e desta escuridão, que cercou a minha vida,
até o momento presente...

Sim, eu sempre soube,
nos rasgos de minha,
tão passageira e fugaz lucidez,
que você iria surgir um dia,
quando eu não mais a esperasse...

Sim, sem sobressalto,
eu senti que quando bateste em minha porta
e entraste, silenciosa, suave e mansamente,
sem que eu me desse conta,
retornou a minha paz
e a minha felicidade perdida,
há tantos anos...

Sim, quando a vi, ainda em sonho,
eu sabia que você existia,
que eu a encontraria
e que você seria minha...
e eu, somente, teu...

 

ENCANTO E DESENCANTO

Sim, querida,
se o amor não é isso que eu sinto,
dentro do mais íntimo do meu ser,
não me venha com argumentos
e filosofias em contrário...

E nem me fale que ele
é ou não é, isso ou aquilo...

Sim, eu sei o que é o amor
pois ele cansou
de se revelar e de me falar,
nas minhas noites insones
e mal dormidas...

Mas onde está o amor
que eu acredito e procuro?

Onde é que ele se escondeu?

Em que tempo
e em que espaço ele estará?

Sim, quem me dera essas perguntas
não ficassem nas variantes
e nas esquinas da vida
e que os meus conflitos e angústias
fossem fácil de entender e de curar...

Pois eu gostaria de crer,
de sentir e de ter a certeza
de que basta sonhar
pois um sonho de amor
tudo pode e poderá...

Sim, amor, sei que divago
e uso as palavras,
como um poeta
que se despede de uma vida,
quase sempre,
tão triste, amarga e cruel...

Um poeta que aprendeu
a viver e a amar
circulando num mundo
que é um jardim
de frangalhos de flores
e de cacos gemidos...

Um poeta que sempre procurou
viver para um grande amor...

Num mundo que,
cada vez mais,
não permite que se viva e se realize
um grande e mágico amor...

 

*TEXTOS RESERVADOS E REGISTRADOS
PELAS LEIS DE DIREITOS AUTORAIS*

 

Música: Only Time, by Enya

 

 

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