Pequenina

Chegaste!

Como o sol escaldante
De um verão flamejante
Que aquece o meu rosto
Queimando-me a pele
Lambendo meu corpo
Dourando os meus pêlos
Que cobre os meus ‘zelos’

Chegaste...

Como as chuvas de março
Como um raio, aos pedaços
Como nuvens, no espaço
Apertou-me, num abraço
Enlaçou-me em seu laço
Me levando ao cansaço
Me tirou do compasso.

Chegaste...

Como dunas, ardente
Navegante errante
De uma nau naufragada
Pelas ondas, arrastada
A uma praia encantada
Fez de mim sua fada
Atrás d’uma enseada.

Chegaste...

Com as rajadas do vento
Como um lobo faminto
Qual uma fera no cio
Eu, uma ave perdida
Com uma asa partida
Junto a um rio sem água
E um poço de mágoa.

Se vás...

Levas tudo de mim
Minha vida, meu sonho
Minha alma, meu corpo
Meu sorrir, meu porvir
Meu abrigo, meu cais
E me deixas assim
A mercê, dos meus ais.

 

Plumas ao Vento

Amo o amor verdadeiro
Amo, e me sinto amada
Amo contente
Amo calada.

Amo a vida sem medidas
Sem despedidas.

Amo a ventura
De estar ao teu lado
Amo este amor ardente
Que me conduz ao pecado.

Amo teus olhos tristes
E o som de tua voz
Amo o teu rosto lindo
E o que mais há, entre nós.

Amo teus lábios quentes
E o sabor do teu beijo
Amo todos os prazeres
Que me excita o desejo.

Amo, e tudo me encanta
Encanta, e me espanta!

Amo o aroma do campo
Amo teu cheiro felino
Horas te vejo um gigante
Horas te sinto um menino.

Amo todas as estrelas
Que enfeitam o nosso céu
Amo as tenras amoras
E o doce favo de mel.

Amo o sonho vivido
E todos meus devaneios
E o passado é esquecido
Ao afagares meus seios.

Amo o azul do infinito
Um horizonte sem par
Amo o vento que canta
E as altas ondas do mar.

Amo de tudo na vida
Que me leva ao sonhar
E como plumas ao vento
Me sinto solta no ar!

 

Há uma Lua...

Do outro lado da rua...
Há uma lua, que flutua.

Se mostra, se esfrega
Se entrega, e não nega...

Que é tua.

Do outro lado da rua
Há uma lua, que acorda...

Se espanta, levanta
Não canta, e não rima...

Com o clima.

Do outro lado da rua...
Há uma lua nua.

Carente, que grita
Se agita, se excita...

E levita.

Do outro lado da rua...
Há uma lua fria.

Sombria, escondida
Sofrida, vencida...

E sem vida.

Do outro lado da rua...
Há uma lua que chora.

Implora, agoniza
Incendeia, e explode...

Na areia.

Do outro lado da rua...
Há uma lua!

 

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Música:  Trilha sonora do filme Cidade dos Anjos

 

 

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