Luiz Carlos Lopes (Peixão 89)

 

27/11/1959 - 23/12/2016


Nascido em 27/11/1959, criado e residente em Santo André, sou publicitário de profissão, formado pelo Instituto Metodista de Ensino Superior em 1985, período em que já atuava no mercado como profissional da área. Casado com Antonia, sem filhos, escrevo desde os tempos da escola secundária, mas só nos tempos da faculdade é que passei a
escrever mais e mais, principalmente poesia. Esses textos foram sendo engavetados até começar a navegar pelos site literários a partir de 1998. Desde então, tenho participado de diversas comunidades e sites, navegando neste vasto mar das palavras...

Obra literária:
"O Futuro Feito Presente" - 1ª Antologia do Grupo Ecos da Poesia

 

***Poeta e amigo parte e deixa saudades... Foi poetar com as estrelas... Meus sentimentos a todos familiares e amigos!...

 

A CITY, A ILHA E O TEMPO

Das mais lindas sedas
Algumas lembranças, vagas apenas
A pele alva de todas as flores
Para que o abstrato que é
Sem o concreto que assusta e clama
Algumas relíquias, base apenas
A segurança contra ventos fortes
Meiga como sua relva
De todas, as mais doces frutas
Palhas para o fogo seguro
Seivas para todas as sedes
Da acidez do asfalto
Nenhuma lembrança, nem suas pestes
Pedras que calcam até o porto seguro
Das engenhocas multiformes
Todos os meios, o mundo a um toque
O Sol de belos dias
A Lua amada e amiga
Todo o firmamento à encantar a paz
Da fonte mais pura
O riacho de claras águas
Vagueia em direção ao mar
Passando pelo posto de observação
Torre dos meus sonhos
Da fauna escassa, nada pestilenta
Da flora abundante, ávida e suculenta
Sim, das mais lindas flores
Capricho aceito sem perder o equilíbrio
Suas chuvas são gratificantes
Por obra do belo quadrante
Afeito como um exótico paraíso
Com poucos estragos trazidos do mar
Para sua areia branca e alva
Poucos pássaros migrantes de outras redondezas
Ávidas borboletas na primavera
Hilárias como o beija-flor de cauda longa
Pelos néctares espalhados deste bosque
Das pedras assentadas, um caminho de flores
Para a pequena entrada do posto ao alto
Alguns móveis de boa madeira
Pequenos confortos para navegar o mundo
Na energia do Sol, uma boa parafernália
Um abrigo seco para livros e escritos
Neste canto para sorver a solidão
Feito água na mesma, o chão
As sedas ficaram na city
Com toda a sua plasticidade
Aqui ficaram os bálsamos, a paz
E os achados de além-mar
Não tem riqueza maior
Que a plenitude da paz
Sim, minha amada Ilha
Tantas faces que procuram
Tantos gestos & gostos
No prazer, uma busca
Um paraíso quase perdido
Sim, flor desejada a todo momento
Sussurros alucinantes ao luar
Ávidos desejos pelo dia
Inteiros sem meias palavras
Recanto para fortificar o espírito
Tesouro que todos buscam
Sim, vem, a porta está sempre aberta
E esses braços para segurar
Mãos para aliviar todos os tormentos
E colocar as mais doces seivas
Em meio a carinhos & atenção
Poucos encontram, é verdade
Pois o endereço mutante demais
Apenas se fixa aos corações abertos e leves
Porque quem adentra a porta
Nem sempre tem no coração aquilo que se espera
Olha e nada enxerga
Nada é esperado, também é certo
A Ilha flutua calma, como porto seguro
Com todas as suas flores
Cultivadas em essência
No dom de uma paciência impaciente
Tons amenos para o entardecer
Calmaria e novos gozos no raiar do dia
Sim, sempre uma calma fantástica
Para amainar solidão & afins
Nada se repete, tudo se faz novamente
Tudo se repete, nada se faz novamente
Se achas que é pura mesmice
É pelo olhar sem expressão do novo dia
Sim, é mágica, imaginária
Totalmente real em cada coração
Ah! amada Ilha, meu porto
Sai das conveniências para abstrair
Sobre suas relvas, sobre sua praia
Nessa dádiva ao prazer
Anseios & desejos são suas chaves
Que mesmo com a porta fechada
Estão ali, ao alcance da mão
Ela é linda, simples e maravilhosa
E tudo é um espelho do meu coração
Sim, é minha amada Ilha
Se não é para todos os gostos
É tudo o que me agrada
Mesmo quando mais me impaciento
É tudo que me conforta
Nas horas mais amargas
É onde coloco meus sonhos
Com os mais diversos desejos
Da mesa hospitaleira, da porta amiga
Da cama que acolhe, do teto que protege
À mão que acalenta

Por toda a city encontramos o bom da vida!

 

O NÁUFRAGO

Mar que empurra mar adentro
Virando o mundo, virando o século
Vai e aporta, cá deste lado
Transforma-se em vazio

Fagulhas amenas, horas de busca
Um corpo nascente no piano mudo
Um encontro com mil e novecentos

Fagulhas alertas, anos que passam
Faz da música outra busca
Esse embarque sua casa
Vinde a cá, o mar aos que voltam

Embalos na vida que faz
Dias, pessoas, risos, música
O toque mágico do piano, jazz

Do amigo, trompete riso
Outros sonhos nessa imensidão
Sem por os pés na terra, mar e céu
Não argonauta, o trompete terreno, solidão

Até tudo findar-se no porto
Ávida esperança, nem desce a rampa
O gênio a caminho "Dele", explosão
Sai do mar e me afoguei na terra.


*A base é um filme que assisti, o nome não me recordo.*

 

BOTÕES, ESTREITOS, FUGAS & PAIXÕES

Desta sacada atemporal
Nauta de ondas & linhas
Ver a voz, peles cálidas
Esse tesão, amor carnal
Pele em finas sedas
Arroubos & exageros na tarde
Ávida na carne, arde
A volúpia com que me beijas
Rompo todo essa matilha
Aflorando aos olhos, esses seios
Rasgo farto de desejos
Trazendo-te para minha Ilha
Luz que vaga entre estreitos
Sorrateiro tomando-te em lascívia
Tantos gozos, o ar alivia
Avivando teus tremores nesses galanteios
Toma minha mão
Tantos beijos nesta boca rubra
Seu peito arfa para que te descubra
Tal ardor e paixão
Hum! toma a estrada em fuga
Foge daquilo que é saudade
Busca este artífice é verdade
Nesta Ilha fantástica que te busca
No brilho fosco da noite
Serena pela intensa paixão
Lavras pedaços do coração
Para navegar na rede
Feliz, adelga o colo
Apartes dos botões que abrem
O corpo nu, outra viagem
Lívida pétala, um gozo novo
O amanhecer em sonho se esvai
Novas cantilenas de pássaros
Só, estranhas a falta de afagos
De que Ilha essa paixão lhe cai.

 

http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=692

 

 

Música: keeper.mid

 

 

 

 

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