Ondina de Aquino Carrilho Cruz

10/09/1920 - 10/02/2011

 

1920, 10 de setembro, nasce na cidade de STO. ANTÔNIO
DE PÁDUA, interior do Estado do Rio de janeiro, Ondina
de Aquino Carrilho Cruz.
O nascimento de Ondina foi, por uma graça particular de Deus, um grande momento na vida de sua família,
pois ela nasceu frágil, com problemas sérios de saúde, de
tal sorte que nem os médicos acreditavam que ela fosse
sobreviver. Uma menina linda e delicada, pequenina, menor do que o normal, a ponto de o médico dizer para sua
mãe: "Não se apegue a este "pingo de gente", pois ele
não vai sobreviver".
A fé da sua mãe, Lira de Aquino, e do seu pai,
Otacílio Carrilho, não esmoreceu e eles fizeram uma
promessa a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: "Se a
Senhora curar a nossa filhinha, ela carregará por toda
a vida uma medalhinha sua." Nossa Senhora atendeu
ao pedido, e Ondina  já teve a proteção de Maria desde
recém-nascida.
Era a segunda filha do casal, compondo o quadro de 8
filhos, sendo eles: Marina, Ondina, Carlos Augusto, Álvaro, Altamiro, José Luiz, Leda e Renato.
A menina cresceu em saúde, idade e graça. Sempre se
destacou no seu meio. Após a 5ª série primária, não pôde
continuar os estudos, devido a uma crise econômica por
que a família passava. Mas não esmoreceu: usando da
sua grande inteligência, pegava os livros de suas colegas
que continuavam o ginásio e estudava sozinha, chegando ao ponto de ensiná-las em particular. Assim, autodidata, ela se desenvolveu.
Jovem, alegre e bonita, era uma excelente dançarina e
muito disputada pelos rapazes de seu tempo. Versátil,
tornou-se uma exímia nadadora no rio Pomba, de sua cidade, de onde salvou algumas pessoas, inclusive um de
seus irmãos, Altamiro Carrilho, celebre flautista.
Na missa dos seus quinze anos, ela se sentiu motivada a trabalhar para os mais necessitados. O sermão era
para lembrar as virtudes de São Vicente. Como ela diz
em uma de suas poesias: "O Sermão não era para mim,
não... Mas ficou gravado no meu coração!"
E iniciou, nesse período, uma ação social que percorreu toda a sua vida, num amor incansável aos pobres.
Casou-se em 29 de janeiro de 1942 com José de Oliveira Cruz, aquele que seria seu companheiro de fé, amigo
por toda vida. Ondina e Cruz percorreram 46 anos de
vida matrimonial, vivida na harmonia e no serviço social,
pois também ele se destacava pela fé e amor a Deus e aos
pobres. Tiveram 12 filhos, dos quais hoje 10 ainda estão
entre nós, sendo um deles Sacerdote, da Congregação que
recebeu a incumbência do Papa Pio IX de difundir a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a Congregação Redentorista. Os outros nove, todos se casaram e
lhe deram 25 netos e 4 bisnetos.
Desde os seus 15 anos, Ondina já tinha dentro do co-
ração "pensamentos em forma de poesia"; mas, só de-
pois de muitos anos de casada, ela começou a escrever
esses pensamentos. Assim, a partir de 1970, começou a
surgir a Escritora.
Escrevia e guardava. As oportunidades foram surgindo e Ondina declamava, Já ganhou medalha de "Honra
ao Mérito" por uma de suas poesias, placa de prata pelo
seu trabalho poético e teve suas poesias declamadas em
rádios, publicadas em jornais, semanários, tanto em São
Gonçalo, cidade onde mora, como em Niterói e até em
folheto litúrgico em São Paulo.
Participou de muitos concursos de poesia. Em todos
os locais onde as apresentou, foi sempre elogiada e parabenizada pelo seu trabalho.
E agora, quando chega aos 80 anos, está publicando o
seu primeiro livro completo, com toda a sua arte.
Desejamos que, com esse trabalho, todos conheçam
um pouco mais essa senhora, que, por sinal e graça de
Deus, também é minha Mãe.

Pe. Luiz Rogério Carrilho Cruz C.Ss.R

 

*Nossa querida poetisa e amiga deixa saudades... Onde estiver sei que sente nosso carinho e admiração. Adeus querida amiga!"

Ligi@Tomarchio®

EM BUSCA DAS BORBOLETAS

Se preciso suportar larvas
Para conhecer as borboletas
Por que, então, eu não as conheci?
As borboletas de Exupery?

Eu as suportei dia-a-dia
Desde a primavera ao outono!
Hoje, o inverno vem chegando
As larvas continuam queimando,

Mas... dentro de mim há uma força
que os olhos do mundo desconhecem...
Que, mesmo as larvas me queimando,
Vou as lindas borboletas esperando!

Espero... Espero... Peço a Deus
Que não canse de esperar
Mesmo que elas custem a aparecer...
Que as borboletas, um dia, eu possa ver.

 

NOSTALGIA

Minhas palavras são vazias
Não têm poesia não têm nada...
São como poeiras na estrada!
Se têm rimas,
Não têm amor!
São desprovidas de calor!
Não há enredo,
Não têm estória.
Não há glória!
Só há fantasia
Da poesia verdadeira!
Pois, esta é brincadeira...
Brincando de trovador
Prá sufocar minha dor!
Dor por não poder
Escrever um poesia
Que traduza minha NOSTALGIA!!!

 

A ANDORINHA E A JANELA
Para Lenira

Numa janela solitária,
Fugida do seu bando,
Uma andorinha olhava em volta do seu mundo.
Uma escada vazia...
Um terraço deserto...
Sem céu, sem verde, sem torre, sem ninho.
Andorinha sozinha
Pensava em voar
Céu aberto... bem alto, perto das montanhas
Mas tinha medo... Medo de cair.
Às vezes, andorinha voava baixo
Tinha sensação de liberdade
Mas, vinha a saudade da janela
Porque a janela era o elo
Que a unia ao seu bando.
Coitada da andorinha...
Sofria e fazia o bando sofrer.
Queria, na verdade, com ele viver.
Mas teimava em ficar na janela.
Sem se atrever a voar alto... bem alto,
voar sobre as montanhas
Ver as nuvens de perto.
Tinha as asas fortes...
Beleza, saúde
Andorinha podia.
Mas, teimosamente, não queria
Sempre parada a olhar...
Uma escada vazia... um terraço deserto.
Só que andorinha não sabia, que ela podia voltar ao bando
Que tanto sofria por ela.
Era só olhar prá dentro dela
E fechar a janela.

 

50 ANOS DE FLAUTA



A ltamiro, hoje tu recebes os louros da vitória
L utaste e perseveraste como bravo
T antos anos auspiciando horas de glória.
A vida digna, sem vícios, sem podre conservaste.
M as, toda vitória tem muitos ganhadores.
I ndole correta, desde a infância trabalhaste.
R aramente o vimos se distraindo, só proporcionando.
O homem que leva a doce vida flauteando.

C antamos de alegria,
A legria merecida,
R azão temos de sobra:
R azão por seres tesouro,
I dolo do nosso Choro.
L evas a flauta altaneira
H oje brilhas reluzente
O nde vais, Altamiro, vai a Música Brasileira!

 

*Poemas integrantes do livro da autora*

 

http://www.ondinacarrilhocruz.xpg.com.br

 

 

Música: Odeon (Chorinho)

 

 

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