Maria Helena Santini Di Sessa

Maria Helena Santini Di Sessa nasceu no dia 21 dezembro e é uma sagitariana típica.
Pedagoga e amante da leitura, escreve textos e poemas ocasionalmente, porque considera que, na maior parte das vezes, sua auto-crítica é um obstáculo à criatividade.

Pablo Neruda, Mário Quintana, Fernando Pessoa e Rilke são as personalidades literárias que mais a seduzem porque são escritores que "viajam com extrema sensibilidade  pelo universo imaginário e com incomparável intimidade pelo mundo das palavras".

Verdadeiramente apaixonada pelos cães, está sempre engajada na
luta da defesa dos animais e é ligada informalmente à várias organizações que defendem a 'causa animal' em São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina.

Buscas

Com tuas loucas buscas acordas a cidade
Preso insano de um tempo que já não existe
Te esqueces as vezes que a teu lado estive
À cega procura da mesma felicidade?

A tua saudade tortura e assim vagueias,
E por sorte não sou mais o que eu era,
Mas aquela minha angústia da espera,
Agora te arrasta pelas ruas sujas e feias..

Extinto turvo espectro que por ti buscava
Nenhuma foto, nenhum laço de presente
Nem das horas, as imagens tenho em mente
Queimei tudo que ao passado me atrelava.

Qual é o cheiro que te anunciava ao meu lado?
Queimando pulmões e incendiando costelas?
Sem marcas de estribos e das velhas celas
Na verdade parti sem nunca ter chegado...

Sinto por ti e por tudo o que em mim doeu.
Sinto por nós e pela lembrança que resiste.
Mas hoje estou livre da tristeza que insiste,
E te obriga a buscar alguém que já morreu.

 

Em segredo

No filme do teu sono
Que de olhos semi-cerrados assistes
Apareço de repente e roubo a cena
Mas sinto que por medo te afliges

Arranco-te para o meu sonho
E de forma tênue mas decidida
Minha imagem reconheces escondida
Meio aos teus devaneios sutis

Teu sono antes calmo e imóvel se agita
E a febre que evitas no bom-senso do teu dia
Te acomete neste sonho de forma irreparável

Plasmas no teu corpo a presença do meu
E mesmo adormecido sentes que sou eu
Quem na penumbra dos teus cantos escondidos
Ocupa os espaços que julgavas preenchidos.

 

Teus olhos

Parti no brilho fosco
de um entardecer nublado.
Gesto rude e tosco
que qualquer mal-amado,
escolhe para ferir
a figura escondida
e de olhar alarmado,
que ao invés de sorrir
por detrás do vidro embaçado,
chora a lágrima sentida
por um amor dissipado...

 

Cetim

estendo a mão fria e sonolenta
num leve tatear compassado,
minutos perdidos nessa dança lenta

a circundar o côncavo marcado
do peso do teu corpo impresso
ausente sob o cetim desbotado

o som de tuas ensaiadas frases clichês
são ecos da perfídia e o personagem central
das tuas longas cenas de amor démodé...

 

http://helenasantini.blog.uol.com.br/

 

Música: Dust'n he wind, by Sarah Brightman

 

 

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