Maria Mercedes Paiva

Nasci no dia 30 de outubro, sob o signo de escorpião, tendo acentuada a característica de arrebatamento, pela
realização dos meus sonhos... dos meus ideais...
Há dois anos entrei para o mundo virtual e nele encontrei muitos amigos, dentro os quais, vários poetas e passei
a viver também, nesse mundo maravilhoso, através dos poemas que lanço ao ar, alguns em cirandas, outros solo,
nos grupos da internet aos quais pertenço.
Enfim, devo dizer que a poesia me é fonte de muitas alegrias, quer compostas por mim, quer compostas pelos
poetas amigos, alguns virtuais, outros postais.
Maria Mercedes Paiva
Nick : Eme e/ou Eme Paiva
e-mail:
emempaivasp@uol.com.br

PASTORIL

Devagar o sol se estende pelo campo...
A aragem vem compor belas canções,
pelas flores, pelas folhas, pelos ninhos
a soprar-lhes os segredos dos rincões!...

E, ao ovo aquecido, que encanto!..
Nova vida, meiguice de passarinho!

De lagarta que se arrasta e é tão feia,
borboleta, flor alada, voluteia!

Sonho em pomos, luz macia, geratriz
popa rica que alimenta, lindo fruto!
E uma boca seletiva lança ao chão,
substância enrijecida em semente,
sem contar: mora ali toda magia!..
Um pomar inteiro dorme, na matriz!

Natureza, linda noiva, lindo véu!
abundância da cascata cai do céu!..
Suas águas continuam a correr,
pelos vales, pelos prados, farto rio,
se oferece, despojado ao beber!

Vibra fibra, linfa ninfa, vive e dura!
Tudo é vivo, lábil, hábil na Natura!
A magia incomum do Universo,
não se enquadra, jamais,
em "N" versos !
Campesina canção em tom silvestre...
Bucolismo em cantata vesperal...
Cantatriz canteando, a natureza,
acalanta, recriando, a si mesma!

 


SOU POETA DO VENTO QUE INVENT0

 Como um potro selvagem
eu galopo por toda a paisagem!!
Cheiro bom de umidade
nessa estância tão ampla,
tão cerrada com todas as plantas!...
Prossigo com alacridade e
vou pintando todas as coisas:
desde o mais débil dos grilos,
pinto pássaros, arbustos
pinto até os frágeis gravetos
que piso e amasso com meu
rápido passo.

Subo, célere aos pícaros do imaginário!
E para maior velocidade,
abro minhas asas e vôo com o vento!
E, rápido, num só momento,
sou o próprio vento em movimento !...
Então passo, beijando suave, os cabelos vegetais...
assovio contente nas quinas,
canto meu canto de vento,
nos cantos dos quintais,
nos fios dos varais, nas esquinas...
Giro os pobres moinhos valentes
e propago o som dolente dos sinos.
Brinco ligeiro entre os cafezais e
e levanto as pipas de papéis dos meninos...
faço festa de pó nas estradas
e sou sopro de alento nas
testas febris...
Enxugo o suor das inchadas
mãos varonis...
Sou Zéfiro... Sou Tufão...
Sou minuano ... Sou monção...
Por um pouco sou ventos Alísios..
Num momento sou ventos etésios...
Sou rajadas ou sou repiquetes...
Travessia ou vento aparente...
Sou mormaço nos becos que adentro...
Sou qualquer tipo de vento que invento...
Então, tento outro experimento:
Paro!

Não

sou...

Tudo

pára!


Sou

os

versos

de

ausência

do

vento...

 

FECHA TEUS OLHOS E DORME, ALMA AMIGA!

Guarda nos olhos o que te mostrei.
Recolhe cada uma de minhas palavras
e guarde-as dentro deles, como se fosse
um segredo nosso.
Fecha-os brandamente, suavemente e dorme...

Não te atrapalharão o sono, os poemas que farei
porque minh'alma sabe fazer versos de armaduras silentes
e preciso do silêncio do teu sono para reunir
os elementos de resposta à pergunta tão remota,
(de todos que vieram antes de nós)
cuja grandeza não compreendo, nem sei onde está escrito
A antiga batalha que se trava no espírito:
- do bem contra o mal
- da fé em Seres benditos
-do imenso amor, que apesar de tudo, nos faz apegados a vida,
-da poesia que arrebata, antes mesmo de ser escrita
-da inquietação
-da rotina
-do corpo gregal e a alma libertina
(a eterna luta da moral contra o avernal)
- da paixão
-do amor...
Nada disso é novo ou anormal, alma amiga!
A angústia da humanidade já é tão antiga,
que paira no tempo e,
febrilmente pensada, criou vida própria e renasce
em cada vida renascida!
Atrapalha o sono de sonhos divagantes,
dispersando-se nas horas notívagas...
diluindo-se nas mentes dispersas, como forma
de fina tristeza nas horas mais felizes!...

Em cada célula nossa há um pouco de ancestral...
Até na saliva, e quando não elaboramos essas coisas,
as engolimos com a comida.
De nossa lívida face, que se enrubesce pelo cansaço da lida, ou
pela emoção incontida, há ou suor ou lágrima e em cada gota
derramada, derramamos com elas um pouco de tudo que herdamos,
no desenvolvimento das ancestrais vidas.
Impressas em nós, há todas as histórias da História!
Mas não pense mais nisso agora.
Fecha teus olhos e dorme, alma amiga!

 

emempaivasp@uol.com.br

 

Música: By Ernesto Cortazar

 

 

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