Lígia Antunes Leivas

1944 - 2013


Lígia Antunes Leivas – Pelotas, RS

*Graduada em Letras e Direito, pós-graduada em Língua Portuguesa;
*Revisora de textos em Língua Portuguesa;
*Livros publicados pela Universidade Federal de Pelotas: “De Amor e de Dor”,
“O Invisível de Cada Um de Nós”, “O Feminino no Real/Ficcional” e “A Noite Não É Um Tempo Calado”;
*Integrante da Academia Sul-Brasileira de Letras, do Centro Literário Pelotense e do Clube dos Escritores de Piracicaba,SP ;
*Membro do Conselho Editorial da ASBL e da UFPEL;
*Professora Emérita em Extensão da UFPEL;
*Diretora Cultural do Centro Literário Pelotense;
*Mérito Cultural do Portal “CEN” (Portugal/Brasil);
*Alguns prêmios literários : “Troféu Cidade de Pelotas” pelo Club Pan-Americano ‘Enrique Salazar Cavero’ (2001); “Medalha Cultural” pelo Fórum da Cultura Nacional (Rio de Janeiro,1999); “Medalha Cultural” como Acadêmica do Colegiado do Clube dos Escritores de Piracicaba, cadeira 24 (2000);
*Palestrante e debatedora em encontros, jornadas, seminários e mesas-redondas culturais, dentre alguns como: Jornada Cultural de Pelotas (1ª e 4ª, com Luiz Antonio de Assis Brasil - 2003; Lya Luft – 2006);”Jornadas Culturais” do Instituto de Educação “Assis Brasil” em parceria com a ASBL, sobre Machado de Assis e Miguel Cervantes (2005); Seminário “Polifonias e Sinfonias”, UCPEL (2006);Seminário sobre “Vida e Obra de Lobo da Costa”, ASBL e UCPEL,2003; Espaço Cultural do Conselho Regional de Psicologia, “ A literatura como forma de libertação” (2002);
*Participante e organizadora de coletâneas e antologias diversas;
*Prefaciadora e apresentadora de obras literárias ( 23 escritores);
*Responsável pelas oficinas literárias do Centro Literário Pelotense desde 2001; e ministrante de oficinas literárias nos Encontros de Escritores do Club Pan-Americano Enrique Salazar Cavero (presidido pela profª Vilma Guerra ) desde l999;
*Oradora Oficial da 32ª Feira do Livro de Pelotas (2004);
*Integrante do Conselho de Cultura de Pelotas.
*Presidente da Academia Sul-Brasileira de Letras (RS/SC/PR)

**Com muita tristeza, minha despedida à querida amiga e poeta que hoje, dia 28 de janeiro de 2013, partiu nos deixando saudades... Certamente os Anjos estão em festa... Obrigada minha querida. Foi um prazer conhecê-la!!!


Quantas vezes quis te dizer...
Paixão

Quantas vezes quis te dizer "Te amo!"
Não sei por que dobrei essa vontade.
Não sei por que guardei essas palavras.
Nem sei por que tanto adiei esse dizer
que tão feliz faz quem o declara calmamente!
Estranho... talvez não possas entender tão fácil
(assim também comigo acontece)
mas já naquela primeira frase
que me escreveste tão desinteressadamente
fascínio intenso assomou-me inteiramente...
o coração e todos os melhores sentimentos
(eu os senti no entusiasmo do meu viver)
Sim!... Como foi bom! Foi como pensei
devesse ser o verdadeiro amor:
contemplação, ardor, arrebatamento
carinho mel, enlevo céu, doce afeição
sentidos e aquerenciados
sem qualquer presença além da imaginação.
Sei... neste 'ser mais ser' vivi o pranto, a dor,
senti o coração sofrido...
transparente, porém... muito mais bonito!
Nenhum silêncio foi suficientemente forte
para constranger tão fiel amor
que a ti dediquei sem nada pedir em troca.
Sim! Este amor que hoje ainda tanto se propaga
e que não cansa de andar por todo meu ser
me faz feliz mesmo que por todo lado
com ele - tão calado - eu sempre ande!

Teu - desconhecido(?) - amor

Lígia Antunes Leivas

 

Namorado

Veio chegando junto com a juventude
Veio sorrateiro, disfarçado, de mansinho
E eu cuidava nos olhos seus o sorriso
e em sua boca eu buscava todo riso

Algo invisível (não sei se era o silêncio)
dizia-me muito... tudo que meu coração queria
e eu o seguia, espreitava-o em cada canto
e nesse jeito ia encantando todo meu dia

Passou o tempo, a hora, cada momento
e no meu peito foi brotando um sentimento
que era mel (não era fel!...) era começo
de um amor que igual até hoje desconheço!

Ah! mas veio o destino, a sina e não sei mais
Ele se foi... pra onde? ...não soube jamais
Voltou a vida em seus caminhos na calçada
e aqui fiquei... às lembranças abraçada.

Lígia Antunes Leivas

 

Carícia mansa no horizonte de muitos silêncios

A tarde começa calma... uma carícia mansa diante de um horizonte
de muitos silêncios que aparentam guardar expectativas que, de verdade, estão mesmo é dentro de nós.
Me acomodo na varanda da casa (... da casa ou do mundo?)
Aqui é meu mundo, a intimidade de mim mesma e tudo mais que vive em mim.
De onde estou descortina-se um horizonte sem fim, me parece. Não faço a menor idéia se ele termina logo ali ou não: onde o fim? onde o limite? ...Infinito!
Mar, areia, certa aragem. Alguma coisa de um sol tímido aparece de vez em quando pra me dizer que a luz não sumiu totalmente. De repente, uma rajada de vento atira montes de folhas da goiabeira que já pressente o ar outonal chegando.
Aqui me derramo... a mim mesma e tudo mais que existe em mim... meu próprio recolhimento, meus subterrâneos, meu sentimento. Cato
presságios que dominam o ar, este estado de ficar refletindo sobre, enfim, o que é 'estar no mundo'. Mas não... Hoje não dá. Não me arrisco a fazer rodar a manivela da tristeza. Deixa pra lá, deixa pr'amanhã... ou sei lá pra quando, pra onde...
Afinal, é Sexta-Feira da Paixão!
ELE morreu...
Nós estamos vivos no mundo... infinito!

Lígia Antunes Leivas

 

Quisera ser pássaro sem ter de dizer 'adeus'

Pelo vidro da janela, a paisagem viaja embaçada.
(- ... meus olhos marejados? - ou o vidro esfumaçado?)
Afinal,em que destino embarquei ao entrar por esta porta?


Já não sei mais nada... Já faz tempo demais...


No bilhete que ficou, jaz uma única palavra.


Quisera eu que nenhuma saudade me afligisse.
Quisera ser pássaro sem ter de dizer 'adeus'...

Lígia Antunes Leivas

 

http://www.caestamosnos.org/Liga_Amigos_CEN/Ligia_Leivas/index.html

 

 

Música: Rhapsodie Pour Deux Voix, por Danielle Licari

 

 

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