Maria Hilda de J. Alão

Maria Hilda de Jesus Alão nasceu em Itabaiana (SE). Veio para Santos, onde reside, com quatro anos de idade. Estudou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Santos, formando-se em Letras. Ministrou aulas de Língua Portuguesa para alunos dos Ensinos Fundamental e Médio.

Estudou francês na Aliança Francesa de Santos e espanhol no CNA.

Participou de vários concursos de Poesias e Antologias, tendo recebido menção honrosa da Academia de Letras e Artes de Barretos. Menção honrosa no concurso de poesias Von Breysky, patrocinado pelo site da Magriça. Participação nas Antologias: Tempo Definido, Palavras Escolhidas e Livre Pensador, da Editora Scortecci; A Árvore da Vida, editada por Arnaldo Giraldo; Verano Encantado, Penumbra y Amanecer e Solamente Palabras, do Centro de Estudios Poéticos, de Madrid – Espanha, com poemas em idioma espanhol.


Livro publicado – Poemas da Maturidade – Editora Scortecci - 2003.
 

Quero um Amor Proibido

Antes de morrer queria muito viver

Um exuberante amor proibido,

Daqueles que ninguém haja tido

Para sentir nas veias correr



O sangue, tal qual a lava dum vulcão,

Queimando tudo, deixando só brasas.

Um amor que me transporte em suas asas,

Que não confesse que o seu coração



A outro amor há muito tempo pertence.

Mesmo assim, entregar-me-ia sem pensar,

Porque nada me impede de sonhar,

Como um bufão sob a lona circense,



No palco, onde seu encanto o transfigura,

Ao lembrar a mulher do seu passado

Que o fazia sentir-se feliz, amado,

Esconde a dor que no peito perdura.



Antes de morrer queria muito viver

Esse amor que causa tanta ansiedade

Que é antítese da felicidade,

Fonte do prazer e do muito sofrer.

 

A Dança do Amor

Fascinante é, do amor, a dança.

Tão leve que o pé não alcança

O chão e no ar me lança



Em movimentos serpentinos

Ao som de címbalos cristalinos

Talhados em materiais argentinos.



Rio. Da dança eu tenho o dom.

Deslumbro-te. Mudo a cada tom

Os passos acompanhando o som



Do tambor, como numa embriaguez.

Toco teu peito e sinto a calidez,

O suor desce pela morena tez.



O coração bate. A mão não recua,

No ar parece pluma que flutua

Desce, lenta, sobre a figura nua,



E explorando cada canto vai

Em frente acarinhando e recai

Sobre o ponto que mais me atrai.



Depois de ter teu corpo envolvido

Na volúpia, que é um fino tecido,

Com as tintas do meu prazer colorido,



Permaneço neste desvario que me seduz.

O espelho do meu quarto reproduz

Teu corpo cansado à meia luz,



E sinto que fui Salomé em coleios

Com passos loucos no palco sem receios,

Seduzi-te com a forma dos meus seios.

 

A Partida

Por todo céu se estendia

O fogo do sol no horizonte,

E eu, à cabeceira da ponte,

Acenava para o barco que partia.



Neste momento, em mim escurecia

O clarão da alvorada interior,

Pois tantas eram as lágrimas de dor

Que apagaram a luz do meu dia.



Fiquei fincada no solo, dormente,

Só na interna noite onde a alma chora,

Quem sabe surge um anjo da aurora

Para levar o sentimento descontente,



Que invade meu peito nessa hora

Em que sou uma ovelha perdida

No imenso e agreste campo da vida

Cercada pela solidão que me pastora.

 

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Música: A little night, by Enya

 

 

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