Edna  Feitosa

LUZ

E Deus disse:
"exista a luz!
e a luz existiu..."
E os usineiros ,
pioneiros de sonhos,
na alquimia dos fios
continuaram o milagre.

Os românticos endeusaram a luz da lua
e iluminaram as almas com versos de amor.
Os seresteiros se cobriram de luz
e cantaram promessas ao luar.
Na luz do olhar que seduz,
namorados trocaram juras...
E Deus permitiu que se desse a luz
e a luz iluminou nova vida
concretizando o milagre do amor.

Luz no céu, fantasiando cores
na terra , camuflando dores
Luz de fogos , de velas
de jantares e velórios.
Luz do pôr-do-sol
luz na água
luz da água.

Usinas transformadoras de toda arte.
Arte em luz
luz em dança
luz em música
luz em poesia
luz em luz!

Flash de luz eternizando momentos
Revelação de luz em cores passageiras
Luz de idéias - vontade de Deus
de ações - vontade dos homens.
Luz dos tantos sóis no tato dos cegos
luz ausente na treva dos embrutecidos.
nos versos dos poetas
na crença dos profetas
nos seres iluminados
na esperança dos aflitos
no foco do palco
na clareira da mata
na fenda da porta
na brecha da alma
na noite que se fez dia,
na vida que se fez magia!

 

RENOVAÇÃO

Ciclo da vida
Fase larval
Pupa silenciosa
Fio costurado
Escuridão
Espera...

Valente despertar
Da crisálida multicor.
Amarrotadas asas
A se esticarem...
Num rápido vôo.

Metamorfose
Missão
Acasalamento
Procriação
Mágico mistério dos ovos
colocados no sagrado berço
da transformação.

Sonhada liberdade...
Alma desatada
Novo ciclo
Grata oportunidade
Necessária renovação!

 

INCERTEZAS

Depois do adeus dito num sussurro
e da frustrada tentativa de renúncia,
houve uma doída ausência,
mas nunca um doído arrependimento.

Nas estrelas um brilho menor...
As horas massacrando os dias
pra que se pensasse menos...
A vida adquirindo novo sentido,
para o que não tinha alternativa.

Depois veio a saudade...
E veio tão violenta,
tão agressivamente dolorida,
que fez o adeus perder o sentido.

As almas se procuraram...
enquanto os corpos se renderam
e, numa terna loucura ,
se entregaram, em plenitude.

Depois veio de novo o silêncio...
Sem dor, sem arrependimento,
sem adeus nem promessas.
O abraço, o sorriso na despedida
mesmo sabendo que depois,
o olhar libertaria o pranto.

...E agora, quando os rumos se desviam,
novo presságio de tristeza se avizinha,
sentindo começar uma saudade
do amigo que, a custo, assegura
que a amizade é um amor
que jamais termina!

 

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Música: by Alibert

 

 

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