Eduardo Augusto Carrilho Cruz

Dudu Cruz


Natural de São Gonçalo, Rio de Janeiro, nasceu em 01/09/1960.
2º Grau completo.
Casado, 2 filhas (minhas artes mais bonitas!)
Desde 1986 resido na Capital de São Paulo.
Sempre estive envolvido com arte: Sou músico percussionista. Escrevo crônicas, e há mais de 10 anos trabalho com diagramação eletrônica (jornal, livro etc.).
Em 2002 comecei a criar imagens com a fonte que eu descobri, batizada de "Prato Sujo".
Desenvolvi o meu trabalho sem nenhuma interferência ou ajuda de quem quer que fosse, simplesmente pela intuição artística.
Mostrei o meu trabalho a um fotógrafo de renome, e ele me orientou e disse que esse trabalho não poderia ficar escondido.
Então e em 2002, mostrei o que fazia para os diretores da Empresa e eles patrocinaram um curso de Photoshop no MAM-SP.
Em Outubro de 2003 participei do 32º Salão Bunkyo de Arte Contemporânea (Associação Japonesa - SP). Inscrevi 3 quadros e 2 entraram na Exposição.
Participei também, quase que simultaneamente, de uma Exposição com mais dois artistas com Trabalhos de Arte Digital no saguão do Hotel Mercure-SP.
Em julho de 2004 entrei com minha arte no Site: www.portalartes.com.br/duducruz e "rebatizei" o meu trabalho com o nome "Prato Cheio", pois, eu já não mais trabalha "só" com sujeiras, a visão artística se ampliou. (visite o Site!)
Em Setembro de 2004 participei, com 3 quadros da Exposição promovida pela Autvis no Salão Blue Life com o tema: "Visão da Sociedade Brasileira".
Em 16 de fevereiro de 2005 participei de um trabalho coletivo (com mais 21 artistas) "Cardápios Únicos" onde preparei 5 CAPAS DE CARDÁPIO para o Restaurante do Hotel Meliá Confort Higienópolis-SP.
Em 12 de junho de 2005 participei na Inglaterra do England Best Art Show, com um trabalho "Arte de Ouro" e recebi Menção Honrosa.
Em 12 de julho de 2005 participei do I Salão Nacional G. Matteo de Arte, onde recebi a medalha de Prata na Categoria de Arte Digital.
Em 26 de novembro de 2005 participei nos EUA Fascination of the Word talents Art Show, ganhando a Great Silver Medal (Grande Medalha Prateada) com o trabalho "Verde Estrela".
Hoje tenho meus trabalhos em no mínimo 4 Sites de Artes, e estou procurando patrocinador para montar a minha primeira exposição pessoal.

Dudu Cruz
São Paulo, fevereiro de 2006

 

No Corredor do Hospital

Fico sentado à espera de notícias sobre a saúde da minha mãe no corredor do hospital.
E olho para as portas fechadas dos quartos, e vejo...
A família que sofre por seu parente doente.
Os doentes que sofrem por não terem suas famílias ali.
Os enfermeiros que passam levando e trazendo medicamentos, como um garçom que traz o prato encomendado, e leva a garrafa de cerveja vazia.
A enfermeira que pára com seu aparelho de pressão, para atender ao chamado do seu celular particular, esquecendo um pouco que atrás daquelas portas tem pessoas com as células pedindo socorro...
O chão não diz nada... mas sente todo esse vai e vem de pessoas desesperadas, felizes, injuriadas, pessoas esperançosas.
A energia que essas pessoas passam para esse chão "deixando-o estressado" só consegue ser eliminada com a faxineira que passa tranqüila, silenciosa, limpando cada canto sem descanso.
Faxineira que faz seu serviço como todo dia, como se fosse igual a todos os outros.
Vivos e mortos, doentes e sadios, tristes e felizes, desesperados e esperançosos que passam por ela, sem ela ao menos se dar conta do que está acontecendo...
Ela vê alguém chorando e torce o pano molhado...
Faz a terapia do piso... e nada mais...
Olho para o outro lado e vejo a escada...
Difícil ver alguém passar por ela. Sempre usam o elevador.
Mas os que passam, sempre são os mais apressados, os que não conseguem ter a calma para esperar o elevador. Por si só já eleva a dor de ter que esperar...
A dor da espera, a angústia desse fim que não chega.
Esse fim que ninguém quer que chegue...
A morte que flutua por todas as portas...
O medo de não ter mais esperança.
No corredor do hospital fico sentado, esperando alguém me trazer boas notícias...
Pois as más notícias já circundam o meu coração.
As portas são todas iguais, mesma cor, mesmo material, mas todas escondem histórias tão diferentes, que fica impossível descrevê-las numa folha.
Por isso, eu olho para as portas e rezo por todos os seus pacientes e impacientes...
Para que seu sofrimento seja transformador...
Para que nenhuma dor seja sem valor.
Pois o valor da Vida é muito maior que o valor da morte!
E se ficarmos olhando só para o que pode acontecer negativamente, valorizando a morte, acabamos sendo animadores do fim...
As portas não podem falar, as paredes não podem gritar. Se pudessem estariam a nos animar a contar tantas dores que já foram superadas pela fé de seus "dor-entes".
A Casa é de saúde, mesmo que não se tenha muita saúde por ali...
Todo o prédio é testemunha da Graça de Deus sobre os seres humanos, muito mais do que qualquer interno. Isso me garantiu o corredor do Hospital!!!

21/02/2006
Escrevi em São Paulo, depois de ter refletido no corredor do hospital em Niterói.

*PS: Pois o “Corredor do hospital” estava certo do que falava!
A minha fé não foi em vão.

Hoje, depois de 2 meses, minha mãe, que estava atrás de uma daquelas portas do hospital, está em casa, bem de saúde, e mostrando ao mundo “a que veio”.

Seu trabalho poético - “Em busca das borboletas” – foi publicado em livro em 2000, e de sua existência muita gente nem sabia. Agora está sendo editado em seu site e apreciado por muita gente que tem demonstrado sua impressão com a beleza da arte poética no Livro de visitas.

Visite o site, leia e deixe sua mensagem para minha mãe, e veja a Graça de Deus na vida da Ondina de Aquino Carrilho Cruz e de todos nós...

Pois, quando eu escrevi esse texto, não imaginava que um dia estaria “fazendo essa nota” para te convidar a conhecer e falar com minha mãe através do seu site:

http://www.ondinacarrilhocruz.xpg.com.br

Dudu Cruz

 

A Interferência da Internet

na Língua Portuguesa

A nossa língua portuguesa é riquíssima!
São tantas os verbetes, que temos expressões para "quase todas as situações ou sentimentos", sem falar nos trocadilhos que nos permitem tantas possibilidades na interpretação.
Já outras línguas, ao serem traduzidas, acabam usando várias expressões para dizer algo comum ao nosso vocabulário.
A nossa língua é rica. Vemos isso nos textos e livros e "em alguns programas culturais" de TV e Cinema. E essa riqueza, hoje, é chamada de "convencional" pois, com chegada do computador caseiro, da Internet banda-larga (mais rápida), veio uma cultura muito mais dinâmica e inovadora chamada de "Cultura virtual".
Esse canal de comunicação chega para misturar a linguagem escrita com a linguagem falada sob a pressão do fator tempo.
Quando o nosso destinatário está na linha (ou como se diz na língua que comanda toda essa cultura eletrônica o inglês: "on line") você não fará a digitação das palavras como elas são.
Vc vai fz td abrev para escrever como se fala: "rápido".
E para ele ler como se ouve: "rápido", abreviar as palavras é a única ferramenta para diminuir o tempo desse "ping-pong" de textos "on-line".
O tempo é fator importante, pois tem-se de fazer isso "rápido" para não ser cansativo tanto para quem digita, quanto para quem lê; pois muitas vezes, os internautas conversam com várias pessoas ao mesmo tempo. E, por conta dessa premissa, "tudo é permitido": As abreviaturas, as frases mal estruturadas, as reações como risos, choros e xingamentos. E por estar ali "sem pagar mais por isso", vale falar todo tipo de bobagem... E os assuntos perdem a qualidade por conta da quantidade...
Só o fato de estar em contato via internet já dá o prazer de escrever qualquer coisa...
A internet chegou e está acabando, em muito pouco tempo, com tudo o que a Educação escolar levou anos para construir...
Hoje, eu vejo minhas filhas escrevendo e me apavoro, pois elas estão trabalhando com a lógica do computador. Quando poderiam exercitar a digitação correta e ficar cada vez mais rápidas nesse exercício, elas escrevem tudo abreviado, como todos fazem.
O pior é que toda essa mania de escrever vai para o caderno... Quando elas precisarem escrever corretamente vão cair na cilada das abreviaturas...
A idéia de "liberdade" que a internet traz, faz com que as pessoas "falem", no caso "escrevam", qualquer bobagem, a qualquer tempo, pois "têm todo o tempo do mundo". Então para quê ser sério?
Com certeza, não demora muito teremos um programa para transcrever as abreviaturas em palavras, e isso vai deixar "ainda mais" essa galera na ignorância da língua.
O computador veio para ficar. E como tudo na vida ele pode ser "bem utilizado" ou "não".
Muitas vezes não o utilizamos bem por estarmos na fase de "conhecer a ferramenta", suas vantagens e a conscientização de que ele é só uma ferramenta; esse computador é apenas um "processador de informações": ele não tem a inteligência comum ao "homo sapiens".
Muitos estão se tornando "homo burrus" por terem a facilidade de encontrar, a qualquer hora, a informação de que precisa, deixando as suas capacidades cerebrais meio que "atrofiadas" por terem essa "muleta eletrônica".
E os efeitos na língua portuguesa nós já vemos hoje, com algumas expressões comuns à computação no nosso dia-a-dia: "deleta" (apaga) , "copiar"(entender). Isso são efeitos pequenos, pois os maiores só veremos mais tarde, quando essa "thurma" estiver trabalhando, escrevendo suas poesias, seus livros, criando as leis do nosso país, ou mesmo dando aula.

O verbo se fez dígito e invadiu todos nós!
A língua portuguesa chora!

Dudu Cruz

 

MANGUEZAL DOMÉSTICO

O Mangue é a maior fonte de vida na natureza.
Mesmo sendo a maior fonte de vida, é um lugar desprezado, não valorizado como fonte de vida e que corre risco de ser extinto em muitas partes do mundo.
Hoje me dou conta de que a vida dos mais pobres é um manguezal: a favela, por exemplo, é local onde a vida pulsa com imensa diversidade.
Todas as "possibilidades" de vida acabam por lá. Tem até gente rica, que está lá para continuar rica, explorando os mais pobres...
E os conclamados ricos, que estão nos bairros nobres, não têm a vida nessa pulsação toda. Lá é tudo muito certinho, hipocritamente belo. De modo a não precisar de nenhuma alteração... Tudo muito previsível.
A vida nesses bairros pulsa pelo ter... e não pelo Viver.
Pois hoje me dei conta de que o lugar onde eu vejo a maior fonte da minha arte é na lixeira! Que não deixa de ser um "manguezal doméstico".
As cores, as formas, as possibilidades de criação, numa lixeira, são infinitas.
Imagine uma lixeira de pia, que já está pronta para ser despachada e, antes de ir para a lixeira maior, passa pelo scanner do Dudu Cruz.
Deve ser "a glória" para todo aquele lixo, que já estava fadado ao aterro sanitário, entrar numa Galeria de Arte!
Pois o Dudu Cruz descobriu esse "Manguezal doméstico" e está explorando-o, sem aquela grande preocupação do "ecologicamente correto".
Eu só tenho a preocupação do "artisticamente correto". Já que a mim é dada à "liberdade de artista", essa preocupação fica ainda menor e eu só me preocupo em dizer de onde é a Arte, de que manguezal eu trabalhei a Vida da Imagem antes de tê-la destruído!
Não se preocupe, pois o Prato cheio não vai se tornar um Manguezal!
Mas que o nome é um bom tema para a minha primeira exposição... Isso é!
Você também concorda?


*Num sábado de sol e frio em julho de 2005, quando jogou o pó de café na lixeira e
viu tantas cores e se lembrou dos manguezais com tantas vidas.

Dudu Cruz

 

http://www.duducruz.com/

 

 

Música: Urubu Malandro, com Altamiro Carrilho

 

 

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Art by Ligi@Tomarchio®