Cleide Canton Garcia

Alguma coisa acontece

Alguma coisa acontece...
Talvez aquele apelo em forma de prece
que o tempo não conseguiu desgastar.
Talvez aquela ânsia de beleza
que mesmo nos momentos de tristeza
o peito se negou a apagar.

Alguma coisa acontece...
Num olhar que se cruza e não se esquece
deixando o pranto secar.
Talvez a danada saudade
num ímpeto de boa vontade
tenha feito morada em outro lugar.

Alguma coisa acontece...
Outra visão de amor aparece
no parêntesis da nova poesia.
Confrontam-se medo e coragem
no palco da velha miragem
esquecida no âmago da melancolia.

Alguma coisa acontece
no silêncio do mundo quando anoitece
fazendo brotar de novo a esperança.
E no deleite desse tolo momento
deixo vagar meu pensamento
e te encontro na mesma dança.

 

Teu amor inconseqüente

O teu amor se faz presente,
inconseqüente,
no arquitetar dos meus planos
e na descoberta dos meu enganos,
na lágrima dos meus tristes sonhos
até a alegria dos mais risonhos,
no planejamento dos meus atos
e na sutileza dos meus desacatos,
nos longos intervalos da minha espera
e no feliz encontro da minha quimera...

O teu amor se faz presente,
inconseqüente,
na taça cristalina do meu vinho
e nas menores curvas do meu caminho,
nas entrelinhas das minhas histórias
e na conquista das minhas vitórias,
no ritmo acelerado do meu compasso
e em toda a extensão do meu espaço,
nas longas histórias que eu contei
e no beijo esperado que não te dei...

O teu amor se faz presente,
Inconseqüente,
no balanço acelerado da minha canção
e nos prementes anseios da minha oração,
nas milhares de razões da minha vida
e na cicatriz apagada da minha ferida,
na expressão cansada do meu rosto
e nas marcas profundas do meu desgosto,
nas linhas cruzadas da minha mão
e no recôndito mais escuro do meu coração...

O teu amor se faz presente,
inconseqüente,
nas causas e efeitos dos meus gritos
e nas resoluções de todos os meus conflitos,
na espera prolongada das minhas decisões
e no explodir alegre das minhas emoções,
nos monstros escondidos dos meus segredos
e na guerra acirrada com os meus medos,
nos limites estritos da minha justiça
e nas bênçãos finais da minha missa...

Teu amor se faz presente,
inconseqüente ...

 

Deixa-me te amar

Senta, amor, aqui ao meu lado
e escuta
o bater compassado do meu coração
a dizer teu nome
com devoção.
Dou-te de presente
o meu olhar outrora ausente
e os meus braços
para teus abraços.
Dou-te a minha voz em sussurros
na mais doce melodia do amor
e meus lábios para todos os beijos
mesclando o meu com o teu sabor.
Brinco com as estrelas
que brilham no teu olhar
e dou-te a lua nos meus
para que possas sonhar.
Jamais te quis para apenas momentos,
tampouco te fizeste
causa dos meus lamentos.
Jamais te vi objeto de desejo
mas confesso que não vivo sem teu beijo.
Jamais quis
mais ou menos do que aquilo que és
e o que de mais belo tenho
deposito a teus pés.
Escuta, amor,
a voz da minha alma embevecida.
Fiz de ti o par constante das minhas fantasias
e a razão de todas as minhas alegrias.
Senta, amor,
aqui ao meu lado
e cerca-te de mim,
sem pecado.

 

http://www.paginapoeticadecleidecanton.com/

 

 

Música: Sonho de Amor, by Liszt

 

 

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