Cândido Pinheiro

Antônio Cândido Machado Pinheiro, militar,casado e pai de uma linda menina chamada Andréa.
Nasci em Dom Pedrito - RS - Brasil.
Atualmente, moro em Santa Maria - RS - Brasil.
Sou graduado em Ciências Contábeis e pós-graduado em Contabilidade e Controladoria.
Meu maior incentivo para começar a escrever veio de minha esposa, Simone Borba Pinheiro,minha poeta predileta e musa inspiradora, e assim como ela, também entendo que a poesia é a nobre arte de expressar os sentimentos da alma.
Aprecio textos de reflexão, poesias, futebol, música new age, conversar com amigos, caminhar à beira-mar e a humildade no ser humano, entre outras coisas.

Caminhos e Sonhos

Muitos caminhos se encontram nas encruzilhadas do destino
Alguns se quebram nas dobras das esquinas, são quinas da vida
Outros próximos e ao lado não se cruzam, são paralelos e não se tocam
Todos são estradas viajantes, onde diversos obstáculos encontramos
Às vezes pedregulhos ou entulhos desafiam nossa passagem
Alguns são vencidos e outros contornados, são pedras da caminhada
Muitos são deixados à beira da estrada, não vêm ao caso
Outros quem sabe chamados carmas são levados como cruzes pela vida afora
E na poeira que se levanta há uma imagem em face de sacrifícios
Pois nem a chuva que refresca nosso corpo e que alimenta o sedento chão
É capaz de apagar as marcas que ficam de nossos passos
Estes são marcados por um suor derramado ao trilhar da viagem
São gotas que tingimos os desenhos e escritos nas páginas do tempo
E no calendário dos anos vamos riscando os dias passados
Deixando ao longo das primaveras o mais puro cheiro de existência
Um aroma de nossa essência, perfume que identifica nossas pegadas

Muitas são as sementes de sonhos que jogamos nos caminhos de outrora
Algumas são desprezadas e esquecidas a beira dos passos
Relegadas à própria sorte ou ao tempo, às vezes vingam e afloram
Outras por interesse plantamos e nas margens das águas cultivamos
Nem sempre rompem a rigidez do solo, nem ao sol forte vencem
Pois não basta apenas plantar nem tampouco esperar crescer
É preciso preparar a terra e adubar com carinho para florescer
Pois não existe terra fértil se o coração for estéril, não adianta apenas desejar
É preciso querer e fazer acontecer, é necessário amor para água chover

Nossas pegadas são sementes, os caminhos são terras que pisamos
Sonhos nos levam a muitos lugares e o chão percorrido a muitas chegadas
Onde em muitas vezes nos encontramos num instante sonhador
Pois paramos o tempo e descansamos ao colo do amor
E sem temor continuamos arriscando a caminhada na incerteza da escolha
Do continuar retilíneo nossa jornada ou seguir um tortuoso caminho
São peças de um inesperado destino ou coincidências da vida
Podem ser ou não enganos, pois existem muitas trilhas
Da paixão ao amor eterno há uma distância de sentimentos
Em que um é o fogo alucinante do corpo e da mente
E o outro é o bater profundo de um coração sereno em eterno momento

Mas no final, sem dúvidas, existe uma linda árvore frondosa,
Majestosa em sombra acolhedora e refrescante, à nossa espera
É o fim da jornada, nosso recanto derradeiro e de íntima reflexão
De olhar para trás e percorrer em pensamento tudo o que foi viajado
Vivenciar a dúvida se o caminho escolhido e percorrido era nosso ou de outrem
Neste momento não adianta mais nada, pois somos o resultado de nossas escolhas
Pouco ou muito interessa se a direção tomada não tenha sido acertada
E se as sementes que ao longo não germinaram foram apenas sonhos sonhados
Pode ser que aconteça um arrepender daquilo que não se fez
Ou talvez de alguns feitos indevidos, frutos impulsivos de vontades incontidas
Pouco importa, não há mais hora para andar, nem mesmo nenhum passo à dar
Apenas esperar e descansar a sombra dos braços da árvore frondosa
Este é o final do caminho, uma triste ou alegre chegada
Não há mais partida para novos sonhos, pois o nosso tempo o vento levou...

 

 Viagem da Alma

Sulcos em tua face, marcas do passado que no presente não entendes
São giros e reviravoltas de uma história que você passou
É a rotina angustiante deste teu sol que nunca raiou
Nebulosas dúvidas de conflitos interiores, são temores, nunca flores
Noites em que a lua não aparece e de breu a esperança se veste
Inquieta alma em teu peito estremece, falta coragem para alçar o vôo
São vidas passadas aos olhos do agora, identidade do hoje jogada fora
Mergulhas a buscar no âmago de teu ser, respostas deste atroz destino
Machucas-te sem saberes os porquês, bom seria se não fosse verdade
Em qualquer idade esta ferida sangra quando no espelho não vês teu rosto
São desgostos de gostares muito e nem um pouco estares contigo
Nestes labirintos é cansativa a caminhada, são esquinas sem chegadas
É andar ao passo sem avançar, momentos perdidos aos dedos escapam
Vida volátil nas mãos evapora, é o fim de um dia mais uma vez indo embora

Mesmo com todos os desencontros e desencantos de outrora
Não desanimes e enfrente sempre, não lamentes se em vão o dia passou
Sigas tua caminhada a regar com otimismo a semente dos tempos
Pois esta brota e verte de dentro da gente em cada novo amanhecer
Basta regá-la para florescer e estará com você num momento crescente
Em que a tua força e vontade é Deus onipotente em sua divina bondade
Tente mais uma vez, não pare de lutar nem tampouco de perdoar
E verás que a vitória muitas vezes é fruto da perseverança
Prêmio àqueles que nunca perderam as esperanças

E quando o destino relampejar nos céus, teus olhos irão te ver
Podes crer no milagre dos anjos, são asas que irão te alcançar
E te levarão além de todos os horizontes, onde verás a tua fronte
Em frente a ti enxergarás o teu próprio retrato
O de antes em preto e branco no agora em todas as cores
Acredite no que verás e sentirás tuas belas formas
Pois dentro de você estarão todas as respostas
É a essência de teu próprio ser, tua alma sedenta de você

Marque encontro contigo mesma e te sentirás em teu interior
E viverás em um único momento, todas as passagens
Esta é a hora, o instante de fechar os olhos e teu corpo fenecer
O piscar desse dia é um clarão reluzente em todas as dimensões
É a viagem da alma em busca de uma nova morada
É um lindo brilho alado vencendo o vento e a luz do tempo
E sejam quais forem as paragens, em outro peito irá resplandecer..

 

Encontro das Águas

Por entre as montanhas ando escondido em um vale perdido
Tranqüilo quase que num cochilo, mas sempre em frente
Vou saudoso levando minhas águas cristalinas
Às vezes corredeiras, e recordando das cachoeiras que já passei
Onde em lágrimas muitos véus de noivas eu deixei
Lembrando da minha cabeceira, palco de amores que enganei
Leito onde beijei sinuosas margens e deixei tatuagens
Cúpidas marcas em ramos que jamais quebrei

Às vezes sou caudaloso e com força um tanto tenebroso
Mas nada de furioso, pois sei que algumas pedras arranquei
Sem maldades, para tanto, não tenho mais idade
Mas às vezes na cruzada, roubo a melhor flor de uma folhagem
Para misturar em minhas águas o seu aroma selvagem

Na chuva me regozijo num salpicar de gotas
Refrescante dilúvio para o calor que sinto
Por vezes meu dorso anda exposto ao sol a pino
Em muitas outras de alegria transbordo
Transformando em terra fértil a tudo o que molho
E nas planícies por onde escorro, vou regando as pastagens
Este verde que me acolhe quando deslizo por entre as matas
Onde meu murmúrio silencia ante a sinfonia dos pássaros
Que em coral de glória cantam bravo à minha passagem

Em muitos braços me abro, e em desabafo formo tentáculos
São muitas outras margens que abraço por onde passo
Em rio único volto ao meu curso e discurso ao mar a frente
Estou chegando e com alegria anuncio a minha aproximação
E num doce beijo molhado a água fica salgada
Agora sou oceano, um gigante em águas

Não ando mais escondido
por entre as montanhas em um vale perdido...
De agora em diante beijarei todas as costas
E mansamente em ondas vou rolar na areia morna das praias
Aproveitando a magia e a beleza da mãe natureza
Deste fraterno encontro das águas

 

http://www.familiaborbapinheiro.com/

 

 

Música: Bandolins, de Osvaldo Montenegro

 

 

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