Artur da Távola

(03/01/1936 - 09/05/2008)

Biografia

1. DADOS PESSOAIS:
Nome: Paulo Alberto ARTUR DA TÁVOLA Moretzsohn Monteiro de Barros
Nascimento/morte: 03 de janeiro de 1936/09 de maio de 2008.
Naturalidade: Rio de Janeiro-RJ
Filiação: Paulo de Deus Moretzsohn Monteiro de Barros Magdalena Koff
Monteiro de Barros
Profissões: Advogado, Jornalista, Radialista, Escritor e Professor.

2. FORMAÇÃO:
Direito - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - 1954-1959.
Especialista em Educação, formado pela CLAFEE (Centro Latino-americano de Formación de Especialistas en Educación). Convênio Unesco - Universidade do Chile - Santiago - 1965.

3. ATIVIDADES DOCENTES:
Professor da Escola de Jornalismo da Fundação Gama Filho - 1960.
Professor Chefe de Cátedra de "Periodismo Audiovisual" na Escola de
Periodismo e Comunicação da Universidade do Chile - Santiago - 1966 a 1968.
Vice-Diretor da Escola de Periodismo da Universidade do Chile - Santiago - 1966 a 1968.
Professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro - Cadeira: Produção de Rádio e Televisão - 1974 a 1975.

4. OUTRAS ATIVIDADES
Produtor e Apresentador de programas de música erudita e popular na TV Senado e em várias emissoras de rádio cultural.
Cronista regular, a partir de 1968, sucessivamente no jornal Última Hora,
jornal O Globo, revista Fatos e Fotos, jornal O DIA.

5. PRODUÇÃO LITERARIA

6. ATIVIDADES PARTICIPATIVAS DIVERSAS:
Presidente da Comissão de reforma da escola de Jornalismo da Universidade do Chile - Santiago - 1967 a 1968.
Membro da Câmara Técnica do Corredor Cultural da Cidade do Rio de Janeiro - 1979.
1º Vice-Presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) - 1980/1981.
Conferencista em mais de cem oportunidades, em vários Estados abordando os temas - Literatura - Comunicação - Política.
Membro do Pen Clube do Rio de Janeiro.
Membro da Comitiva Oficial do Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, em visita oficial ao Chile em 1995, para posse do Presidente Ricardo Lagos.
Membro da Comitiva Oficial do Presidente da República Fernando Henrique Cardose, em visita oficial a Portugal em 1996.
Aula Magna inaugural nas Universidades Federal Fluminense, Gama Filho, UNIRIO e SUAM - 1995. PUC Porto Alegre - 1999.
Membro da Comitiva Oficial do Presidente Fernando Henrique Cardoso, em visita oficial ao Chile - Março 2000.
Membro da Comitiva Oficial Brasileira que participou da 103ª Conferência Interparlamentar realizada em Aman (Jordânia) - maio de 2000.
Membro da Academia Virtual de Letras Luso-Brasileira - março de 2005.

7. CONDECORAÇÕES:
Ordem do Rio Branco
Grau de Oficial
Brasília, 20 de abril de 1994.

Ordem do Infante D. Henrique
Grau de Gran Cruz
Lisboa, 20 de julho de 1995.

Ordem de Bernardo O'Higgins
Grau de Gran Cruz
Santiago do Chile, 9 de março de 1995.

Ordem do Mérito Naval
Grau de Grande Oficial
Brasília, 11 de junho de 1995.

Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro
Colar do Mérito Judiciário
Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 1995.
Ordem do Mérito Militar
Grau de Comendador

ATO DE CONTRIÇÃO

Ah, como somos comedidos!
Acomodamo-nos, vãos,
nos limites do concebido.

Somos bem educados, cultos,
e ruge tanta fome
nos apetites fora do concedido.

Ah, como somos sob medida!
sub metidos, hirtos, bem vestidos,
robôs impecáveis, ilusão de vida.

Ah, somos como os subvertidos,
introvertida soma de extrovertidos
por pompa, tinta, arroto ou brilhantina.

Filhos do instante, do entanto e do porém,
somos através, como os vidros,
mas opacos e pervertidos, sempre aquém.

Traçamos sinas e abstrações,
terçamos ódio finos, dissuadidos,
lãs de olvido e alucinações.

Sovamos os sidos, os vividos,
somos eiva, disfarce, diluição.
Somos somas a subtrações.

 

SERENO

Cansaço universal
a transudar sutil
o doce suor da noite funda.
Borrifo de plenilúnio,
úmida emanação de luz
em gotas do mistério abissal.

Saliva de deuses fluidos
a bendizer segredos da revelação.
Hálito distraído da noite
a ressumar a oração da natureza
pela muda voz
da madrugada.

Perdigotos do céu
ou bafo da terra
em suspiro e lassidão.
Umidade do silêncio,
noturna expectoração
do amanhecer.

Testemunho da pétala,
alma do cristal pousada
em pátena invisível.
Cio da flor,
em corolas ávidas
de umedecer gineceus.

Só ninfas e napéias
sabem-lhe o pouso encantado
e secreto
na folhaflor
onde copulam insetos e duendes
grávidos de Deus.

 

PELAS RUAS

Passeio-me o eu
pelas calçadas da memória
onde a decadência não chegou
e aquele rapaz amoroso e bom
ainda faz serão e vestibular
para viver a vida ou morte
mas desafiar interrogações
básicas do ser.

Passeio-me o mim
deambular fugidio
de tanta vida não vivida
exceto nas paralelas
onde o ser se revela
e faz o que não viveu
ser memória ram
oculta no computador biografia
mas impressa no cine saudade
e na pulsação esta
que agora me asfalta o peito
e povoa o estro ordinário.

 

Música: Adagio In C Minor, by Yani

 

 

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