Anna  Paes

Te amei assim...

Esperei por um sinal...

Teus ais não chegaram pelo

vento aos meus ouvidos,

nem tua compreensão

aproximou-se de meu ser.

Os dias transformaram-se em

nublados momentos solitários.

Eu te amei sim...

Por medo abandonei meu querer,

guardei-me em sete chaves.

Trancada e solitária

busquei muito tempo

as palavras que poderia

ouvir de tua boca.

Em vão, tudo sempre em vão...

Tuas palavras refugiadas no cofre

De tua alma perdida em saudade,

Nunca a mim chegaram.

E assim, padecemos ambos

e perecemos

na mesma dor.

 

Lua Mística

Meu corpo abriu-se como sulco

Para receber o teu amor maior,

Sentimos um desejo abrasador

Envolver-nos feito uma teia

A enrolar-se em nossos corpos.

Nossos braços formando cadeia.

Quente semeadura da entrega

De tesouros que não se nega.

Mãos tremem às cegas

Espasmos da carne,

Êxtase da alma.

A tarde vê a lua chegar

Para contemplar o nosso amar.

A Lua, cúmplice, nos clareia.

Nossos corpos lassos,

Perdem-se em abraços.

Entregues às correntes dos desejos.

Pássaros voltam aos ninhos

Ficamos entre mil carinhos

A luz da lua lambe voluptuosa

Os nossos contornos harmoniosos

Quem abrasou meu coração?

Quem tem veludo nas mãos?

Agora na teia dos meus sentidos

Sei que na minha vida nascente

Tu sempre estarás presente.

 

 Lembranças

Abri as gavetas de meu coração
Retirei peça por peça
Guardados antigos,
Embolorados pelo tempo,
Poeira, traça...
Revirei tudo,
Com esperança, ainda.
Restou-me apenas a lembrança,
Amarrotada, num espaço entre eu e você.
Perdida no infinito de nós dois.

 

http://www.anna.paes.nom.br/

 

 

Música: Mar Yara

 

 

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