Agostina Akemi Sasaoka

Agostina Akemi Sasaoka nasceu em Campinas, São Paulo, em 1977. Filha de artista plástica e de um massoterapeuta, irmã de um fotógrafo. Começou a estudar desenho e pintura antes mesmo de se alfabetizar. Assim que aprendeu a ler e escrever (alfabetizou-se sozinha), começou a devorar todos os livros que encontrou pela frente e a escrever seus primeiros poemas e canções. Estudou flauta doce e formou-se no curso técnico de piano. Estudou roteiro cinematográfico e participou de dois curta metragens. Em 1995, mudou-se para a cidade de São Paulo, para cursar a Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Francisco. Depois de formada, começou a trabalhar profissionalmente com a Internet, como webmaker e depois como webdesigner e arquiteta de informação. Publicou seu primeiro livreto de poemas "Poros" no final de 1997. Participou de inúmeras antologias e coletâneas e ainda tem muito material inédito que aguarda publicação. Desde fevereiro de 1999 administra sozinha o portal literário "A Garganta da Serpente", dedicado à divulgação de novos talentos, sem qualquer espécie de apoio cultural ou patrocínio. Em 2004, o site completou 5 anos no ar e conquistou o TOP10 do Prêmio iBest (o "Oscar da Internet") na categoria Pessoal Variedades.

A GARGANTA DA SERPENTE

Não há luz.
O tremor do útero
anuncia a sílaba.
Diga tua profecia
enquanto refaço o evangelho.
A boca sorri tortuosa
maldizendo a dança dos temores.
Pronuncie!
Não ouse sussurrar o caos.
O terço se enrosca
em minha língua
enquanto a primeira estrela se arrebenta.
Hospedo-me
nas gavetas do inferno,
onde os verbos maceram.
Não olhe:
vou nascer.
A garganta arreganhada
permite o sibilar do cio
Esfrego-me em teus pudores
enquanto conjugo um bocado da lua.
As escamas pulsam displicentes
sob a fronteira úmida da dor.
E o verde rasteja
- infindável -
trazendo a serpente.

 

TRINDADE

O tempo passa.
De dia é céu.
De noite é inferno.
Cristo,
continua de braços abertos.
O diabo e eu
de pernas abertas.
Aguardo o encontro
dos nossos membros.
Sou esse corpo,
esse cálice sem vinho.
Comungo a vida
com os camundongos.
Também sou a pomba
e o ponto de exclamação.
Deus se aproxima
e lambisca o diabo
- todo o universo gargalha -
Para que tanta dor?
É hora de rezar:
encoste a porta.

 

ANIVERSÁRIO


Eis que o bafo
dos anos que escorrem
aquece meu corpo
mais uma vez,
babando em mim
a idade,
alfinetada
num bolo de aniversário,
onde a parafina brinca
e o açúcar sobra,
ante um corpo
de curta idade biológica
e maturidade precoce
que rasteja pelo mundo
pensando-se imortal.

 

http://www.gargantadaserpente.com

 

 

Música: Hijo de la Luna, de Mecano

 

 

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