Tere  Penhabe

13/12/1954 - 07/01/2017

 

TEREzinha Aparecida PENHABE Rossignoli, bancária aposentada, viúva, nascida aos 13/12/54, em Santa Cruz do Rio Pardo - SP, reside atualmente em Santos - SP, cidade com a qual se identificou e acolheu como a terra natal do seu coração. Escreve desde os nove anos de idade, possui licenciatura plena em Letras (1986), várias participações e premiações em concursos literários, referente à poesias e crônicas, bem como diversas publicações em Antologias Poéticas e Revistas Literárias, entretanto, o prazer de escrever colheu louros e reconhecimento, ao começar a divulgar seus textos pela Internet em 2003, através da sua página pessoal: www.amoremversoeprosa.com, criada e mantida pela sua filha Dani.

**Nossa querida poeta e amiga nos deixou saudades em 07 de janeiro de 2017. Foi poetar com os Anjos!**

 

 

Taça vazia


Tenho a taça vazia entre meus dedos
E penso cabisbaixo em meus segredos.
Os finos vinhos tanto a transbordaram,
Minha alma e coração se embriagaram...

Enganos me trouxeram muitos medos,
Por isso fiz da vida só folguedos...
Um dia li os jornais que publicaram,
A notícia com a qual me abalaram...

Morrera abandonado no seu ninho,
Aquele que me amara por inteiro,
Dentre todos, talvez, o verdadeiro!

Mais triste, segui em frente o meu caminho,
A banhar os meus risos no luar,
Dedicando meu amor só para o mar!

Tere Penhabe
Santos, 12.07.2007

 

Envelhecer

Foram tantos risos, tantas alegrias...
A vida era menina e era fácil cantar, sorrir, sonhar!
Foi fácil até... cometer o primeiro pecado,
o primeiro cigarro...
fazer círculos de fumaça que se perdiam no ar,
como se perderam os sonhos,
depois, bem depois...

Onde estão?
Onde estão meus amigos?
Minha amiga querida, gordinha como eu queria ser...
com os seios grandes que eu queria ter,
e mesmo assim não a invejava... apenas admirava!
As nossas serenatas, feitas aos pares, fugindo dos bares
para que ninguém nos vissem...
Juras sob o luar... ao som do violão,
batidas descompassadas do coração...
cartinhas escondidas debaixo do colchão...
que saudade!

Meu primeiro namorado...
que depois perdeu a magia, de repente casado,
vítima dos deslizes das horas mortas...
pisando nos meus sonhos,
como quem pisa formigas com a sola do sapato...

As quermesses no sábado à noite,
o correio-elegante tão esperado!
Chegando apressado e sendo apertado,
na palma da mão suada de emoção!
Que tempo bom!

Mas onde estão?
Onde está a magia de poder acreditar no que se ouvia?!
Onde...
a pureza, que parecia tão constante, tinha tanta firmeza!
Onde a perdi, que não sei?
Onde estão os nossos pactos, a nossa lei?
"Um por todos, todos por um!"
Ah... parecia tão fácil!
E no entanto...
cadê todo mundo?!

O mundo girou, o sol se escondeu, a lua morreu...
Até os passarinhos já não cantam mais...
ficaram preguiçosos?
Criaram sindicatos?
Ou simplesmente estão ociosos,
à espera de inspiração...
como eu?

Talvez... mas só talvez!
O mais certo é esse verbo inóspito: ENVELHECER!
Que alguns tentam me convencer que é bom, mas...
Como bem disse o grande Velho Aprendiz, Jorge Reigada:
"Envelhecer é bom para a mãe dos outros!"

Concordo com ele!

Envelhecer significa perder...
Perder amigos, entes queridos, sonhos, ilusões...
Brigar com o espelho, chamá-lo de pentelho...
Envelhecer significa ver puir o coração! Aos poucos...
E mesmo assim é preciso...

Tropeçando aqui, caindo ali,
tentando reavivar o que não existe mais,
fingindo o riso, que só consegue ser uma caricatura,
do que já foi um dia...
Mesmo assim é preciso...

É preciso envelhecer!
Fingir que está tudo bem,
que não incomoda ninguém
e transformar a vida num poço de lembranças,
lembranças e saudades...
Porque para tudo falta coragem,
saúde e coragem... às vezes vontade...

Mas envelhecer é preciso!
Para sair da vida em grande estilo!
Vencedor!
Velho e decrépito, porém...
VENCEDOR!

Eu só não sei do que...

Tere Penhabe
Santos, 14.02.2008

 

A verdade sobre a Chapeuzinho vermelho

Eu sempre tive fascínio
Por qualquer conto de fadas.
De uns tempos para cá
Já não entendo mais nada:
Estão sempre a duvidar
Do que ouvimos contar
Por nossos antepassados.

A derradeira que eu soube,
Me deixou de boca aberta:
A Chapeuzinho Vermelho,
Na verdade não era neta;
Apenas uma vizinha,
Que roubava a merendinha
Para negociar com ela.

Dava para o caçador,
E o lobo se empertigou,
Peitou um dia a tal menina,
E desse jeito falou:
Ou divide isso comigo,
Ou vamos bater umbigo
Depois como o que sobrou.

Era levada da breca,
E barato não deixou,
Maquinando dia e noite
O seu plano arquitetou:
Levou a vizinha no bico
E se propôs ao serviço,
Que à filha, a mãe destinou.

O tal desvio do caminho,
Não foi bem o que contaram,
Era de caso pensado,
Ela mais lobo tramaram,
Pra enganar o caçador,
Que achava que era seu amor,
E morreu sendo chifrado.

Mas pegando a merendinha,
Que para o lobo entregou,
O safado do tal lobo,
A sua parte não honrou.
Chapeuzinho virou onça:
- Guarda já essa geringonça
Que para mim não prestou.

Nisso ela ouviu o caçador,
Que vinha pelo caminho,
Sua modinha de quartel,
Assoviando baixinho...
- Já que não me deu o que quero
Me encheu com seu lero-lero!
Disse ela ao tal lobinho.

Então descambou a gritar,
Fingindo de coitadinha.
O lobo, bobo, não corre,
Ao contrário, se avizinha,
Cansado, não dava conta,
Do tesão de grande monta
Da nossa tal heroína.

E tem um detalhe sórdido:
Rendeu-se sem resistência!
Deu os pulsos para algemas
quase que pediu clemência:
- Leve-me preso, seu moço
Porque senão, viro almoço
Da donzela de aparência.

O caçador que era outro,
Trambiqueiro e salafrário,
Combinou com Chapeuzinho
Pra melhorar o salário.
Armariam uma contenda,
Ficando com a comenda,
De heróis do tal fadário.

O lobo aceitou a tal trama,
Por conta do seu quinhão,
Receberia pra sempre,
Esse tal de mensalão!
E o povo todo, e sempre,
Enverga a ilustre patente,
De palhaços de plantão.

Tere Penhabe
Santos, 24.02.2007

 

 

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Música: An Affair to Remember, by Emile Pandolfi

 

 

 

 

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