Maria  da  Luz

Nasceu em Catalão, Goiás, em 28.05.l954.
Viveu em Anápolis dos cinco anos de idade até 1997, quando visita a ilha da magia (Florianópolis) pela qual se apaixona. Desde então, passa a residir lá. É formada em Letras Modernas, com pós graduações em Linguística e Literatura Brasileira.
Foi Professora do Colégio Couto Magalhães de Anápolis, interior goiano desde os 17 anos até se aposentar. Mas continuou no Magistério com Literatura Brasileira no Instituto Estadual de Educação (Florianópolis) até dezembro de 2008.
Maria da Luz oscila entre o romântico e o realista, com predominância na linguagem contemporânea. É prosadora e poeta, retratando o quotidiano. Escreveu "CASTELO DESTRUÍDO" (com apresentação de Ernest Heeger), onde retrata o menor abandonado.
Tornou-se famosa com o romance "IMPÉRIO DOS DESEJOS", em que conta a história de três jovens lésbicas. A edição deste livro esgotou-se em menos de um mês.
Escreveu, igualmente, o romance “O VENDEDOR DE ILUSÕES”, em que traz à consciência coletiva um dos maiores flagelos da sociedade atual – a droga. Nele, se misturam poesia e prosa para tratar de temas relativos à família moderna, com os seus problemas e dissabores.
Em 2008 publica o livro de poesias “Centelhas de Amor” e, em 2009, o romance “A Filha do Cerrado” onde retrata uma menina que sozinha aprende a ler e escreve o romance que comove o Brasil.
Alguns de seus poemas podem ser apreciados em seu site pessoal www.centelhasdeamor.com.br e outros.
 

 

Toxicomania


Caminho sem rumo
à procura do sonho
que se esvai na fumaça
deste “baseado”.
Acalmo minhas dores
injetando a morfina
que me fascina
às portas do céu!...
Mas logo caio no fogo
que me queima
toda fantasia.
E a doce poesia
mistura-se na lama
deste corpo fétido.

Na ânsia louca,
agarro a seringa
e rasgo-me a veia.
Assim, me coloco na teia
de mil demônios.
Todos gargalham
vendo-me a ruína.

Grito como louco
quero morfina,
heroína,
tudo que domina
esta dor infernal!...

Mas ninguém,
ninguém me ouve...
Meu Deus!
Que será de mim?

Meu dinheiro acabou.
A droga o queimou.
Minha honra se desfez.
Amigos, não os tenho.

Sangra-me o peito
vendo o preconceito
dessa gente ruim.
Se me olha, meneia a cabeça
e diz: é um louco!
E foge de mim.

A tristeza me invade.
E, no desespero covarde
troco meu pai, minha mãe
por um “dólar”
e uma picada no braço.

Quero sair desta
mas não consigo.
Trago comigo
O requinte do fracasso.
Apodreci no meu sonho.
Virei um escarro medonho
e me espalhei na calçada.

Maria da Luz
In. O vendedor de Ilusões, p.53.


 

Ah! Como te amo!...



Se à noite olho para o céu e contemplo as estrelas,
Minh’alma vê apenas a doçura do teu olhar!
Assim, no esplendor do infinito,
Um amor bendito
Sonha viver além das nuvens, além do mar!...
Eu te amo tanto!
És meu encanto.

Quando pela manhã sinto os primeiros raios do sol,
Uma alegria sem fim percorre-me o corpo!...
É a lembrança que me aquece.
Envolta numa prece,
Adorno meu coração na auréola deste amor louco.
Ah! Como eu desejo
Teu abraço, teu beijo!

Como rios que serpenteiam buscando a beleza do mar,
Meu coração dispara a toda hora;
Sempre querendo abraçar-te.
E esta chama que arde
Forma o reflexo dos mais belos momentos de agora.
Eu te quero tanto, amor!...
Vem ouvir meu clamor!

Maria da Luz
Florianópolis, 19/6/2008

 

Quero um amigo...

Que seja cavalheiro e saiba respeitar as diferenças.
Que espalhe amor, afaste desavenças.
Que mande flores à moda antiga.
E que me diga:
Quero-te tanto!...
E me enxugue o pranto quando eu chorar...

Quero um amigo...
Que me ensine o caminho certo quando eu errar.
Que enfrente comigo as tempestades do mar.
Que chute conchinhas das praias
Que brinque de bola e solte raias
Porque estes são os segredos para viver e amar.

Quero um amigo...
Que saiba argumentar sobre a diversidade
Dos problemas. Não importa a idade!...
Mas, que suba a penha
Que um dia venha
Ser um obstáculo por onde nós andarmos.

Quero um amigo...
Para comigo andar entre as estrelas do infinito!...
Deitar sobre o lençol da lua e achar bonito
O enlevo que ponho
Em cada sonho
Que nasce da simplicidade do verbo amar.

Maria da Luz
Florianópolis, 9/1/2008

 

 

 

Música: Ballade Nº1 in G Minor, Op. 23, de Chopin

 

 

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