Helena C. de Araujo


Sou professora de Arte. Minha formação nessa área é acadêmica e afetiva. Tenho Graduação em Educação Artística, Licenciatura em Artes Plásticas e Especialização em Arte-Educação - Educação Artística Aplicada.

Entre as muitas coisas que faço por gostar, experimentar diferentes formas de expressão artística é uma delas: já desenhei, já pintei, fiz modelagem, cerâmica, colagem, fotografia, tapeçaria, teatro.

Além de ser apaixonada por Arte, muito mais como admiradora do que produtora, adoro escrever. Minha formação na área literária é quase exclusivamente afetiva. O curso de Letras iniciado com tanta paixão foi deixado de lado para dar vez a uma outra, imensamente maior e insubstituível: minha família.

Mas as grandes paixões nunca caem no esquecimento. Gosto demais de poesia. E esse intenso gostar é o motivo de me arriscar escrevendo algumas.

Escrever, para mim, é sonho, vida, energia, imaginação, fantasia. É o espaço que falta, é o sonho que invento, é a história que crio e conto. Recolho os momentos, as saudades, os sorrisos, os encantos e os guardo em palavras, que contam muito mais sobre mim do que eu mesma conseguiria.

Oração pagã

São noites como estas
Em que quero sonhar-te.
Noites levemente insones,
de fantasias e horas adiantadas
que me conduzem
muito além dos meus limites.
Alma e pensamento voam, livres.
Desnudo-me, corpo e consciência,
num estranho deleite
em carícias invisíveis.
Não são os lençóis
que me aquecem.
Junto as mãos e movo os lábios
numa oração pagã.
Um êxtase quase casto
me assemelha à divindade.
Minh’alma repousa
nesse momento inventado
nas noites para sonhar-te.
Lá fora, cúmplice,
Um anjo acende a lua.
 

 

Desistência

Meu coração,
às vezes,
cansa.
E revida-me as angústias
arrancando-se de mim.
E insensível,
lá de fora,
voa longe
e alto e livre,
como se quisesse
não bater,
enfim...

Meu coração,
às vezes,
cansa.
Dói-me no peito
seu espaço
quando age assim.
Mas como pode
censurar-me
a desistência de ser,
se foi ele quem primeiro
desistiu de mim?

 

De flor e de saudade...

Contemplo as cores pálidas de uma flor
guardada entre as páginas de um livro.
As pétalas desbotadas
me contam que já faz tempo.
Também essas páginas são antigas.
Mas as lembranças não descoram.
Estão vivas, pulsantes,
inflamadas do carmim
da flor de antes.
Detenho-me indefinidamente
nesse olhar de flor seca.
Toco-a, de leve,
como se a vaga carícia
a pudesse despertar
e com ela, o sonho.
Mas o gesto estranha a flor,
que se desfaz, cansada.
Meus olhos me confundem,
e por um instante
tenho a impressão que é a flor
que estremece e chora...



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Música: Enigma

 

 

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