Gui Ferreira de Oliva

Quem sou?

Sou essa permanente interrogação
sou a menina da infância feliz,
sou a jovem da insubordinação,
a mulher amada e amante
que nunca pode estar só,
sou mãe, sou filha e bem supremo...
sou avó!

Sigo o meu caminho
e nem sempre em linha reta eu o ando,
assumo as trilhas das reticências
como peregrina com estrelas sonho,
mas não abro mão dos princípios da decência.

Uma vírgula para a reflexão ali,
com o que realizo
pontos acolá de exclamação,
porém sempre um original entre aspas
tratando as batidas do meu coração.

Em algumas instâncias sou dois pontos resolutos:
quando... pela Liberdade sou gaivota
e da Justiça sou fiel devota!

Como ponto final queria ser toda e tudo isso aí,
ser guilhermina, guikoala, guiperê, guiúcha,
ser guimba e, versejando,
simplesmente ser a gui!


Gui Oliva
Santos/12/05/06

Silêncios

O silêncio consentido é o encontro com meu eu,
é conversa desprendida dessa dor que sinto aqui,
resumida neste peito que à sua entrada aquiesceu,
e o palrear apazigua o sofrimento de um tal jeito,
que até mesmo essa dor já esqueci!

Já silêncio recebido é de um jeito que não quero,
é aquele que emudece a canção do bem querer,
corta o som... dedilha o verso do nunca e não espero
esses sons escurecidos embalando um sofrer,

mas aí eu desespero...
este silêncio vem de ti
e eu penso que morri...
só penso...sobrevivi!

Gui Oliva
Santos/SP 30/04/2006

 

Vem ... Vento

Assopra na minha direção,
Chega de mansinho
beija minha face,
dedilha comigo um entrelace
amoroso, mas pleno de paixão,
bate tuas lufadas no meu corpo,
castiga minhas entranhas,
e eu vou te dizer... ainda é pouco,
provoca aquele temido furacão,
não deixe que a chuva do choro
embace as tuas ventas,
vê se inventa e aprende, soprando,
como despertar minha atenção
Venta vento... Vem me amando

Gui Oliva 

 

"Viver é muito perigoso"*

VIVER

é recorrente
e contradita
a divisão,
é um carinho
é separação,
acumular beijos
recolher tapas,
a verdade surge
traição solapa,
um encontro ocorre
acontece o chamego,
o outro escapa
chega o desprezo,
momento bem cedo
outro já tarde,
coração liberto
pelo amor às grades,
a chuva afoga
o sol arde,
a lua brilha
madrugada esfria,
caminho reto
com trilha em curva,
assim se nasce
pelas mãos
de anjos
também se morre
recurva em bruma.

viver é ardil
auspicioso,
já foi escrito:
é perigoso!
mas vai por mim
vale viver
driblando
o perigo assim!

Gui Oliva
Santos/SP-05/08/06

*Versejo inspirado na frase de Guimarães Rosa em
Grande Sertão: Veredas.

 

http://www.guioliva.com.br

 

 

Música: Traümerei, by Robert Schumann

 

 

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