Dalva Agne Lynch


Dalva Agne Lynch é escritora diversas vezes premiada, tanto no Brasil quanto no exterior. Dedicou-se por mais de 30 anos à pesquisa de religiões e mitologia, tendo publicado inúmeros estudos, monografias, cursos e documentários sobre o assunto. Escreve tanto em português quanto em inglês, e teve artigos, contos e poemas publicados em diversas revistas e jornais do Brasil, EUA, Inglaterra, Austrália, Israel e Portugal através dos anos Participou de dezenas de Antologias, e tem dois livros publicados no Brasil.

Lynch, que nasceu em Porto Alegre, RS, e viveu muitos anos de sua vida adulta no exterior, entre Egito, Grécia e EUA, mora atualmente em São Paulo, capital, com dois de seus cinco filhos.

LIVROS PUBLICADOS: "Às Portas da Noite", Ed. Blocos; "A Hora da Espada", Ed. Scortecci; o livreto "Heavenly Elite", pela Revista e Gráfica do Christian Research Institute, EUA.

site: www.dalvalynch.net


Preconceito

fig. Arthur Rackman, Brunhilda sendo queimada


Ainda nos queimam na fogueira.
O fogo que lhes queima o corpo
porque não nos queima a nós
eles nos queimam.
Vide seus olhos vorazes!
Suas línguas de fogo nos consomem
nas piras de seus púlpitos
de suas mesas
suas lousas
suas camas.
E porque renascemos
porque se nos cobrem cores
e palavras
e sons que não entendem
levantam punhos
levantam grades
armaduras
sarcasmo.
E gritam:
malditos!
E queimam-nos ainda outra vez
no fogo que lhes queima o corpo
se lhes sai pela boca
se lhes tolhe os dedos.
E gritam contra a liberdade
irrevogável, infinita
que temos nós.
Nós
os pássaros
atrás de suas grades.

©Dalva Agne Lynch

 

Carta para Odete Ronchi Baltazar

fig: Odete Ronchi Baltazar, em montagem de Silsaboia

 

Mulher de olhos de criança
quem te protegeu das cicatrizes
das noites infindas do teu espírito?
Quem te deu o abraço restaurador
a palavra certa na hora da angústia maior?
Que mãos te teceram as horas
circundando-te de sol
preservando-te o brilho de estrelas
dando-te essa camada translúcida de amor?
Diga-me, menina. Diga-me
e viajarei até as fronteiras últimas
para aprender a beleza de tal toque
a receita do bálsamo de tal palavra.
Talvez assim
eu encontre o segredo de tecer poemas
que enfeitem nosso pobre mundo
de paz.

©Dalva Agne Lynch

 

Vergonha

fig: montagem da autora

 

Quando levantas o rosto
contra nós, os desprezíveis
que não são os mais belos
os mais divertidos
os mais bem-vestidos
eu tenho vergonha.
Quando fazes chacota
de nós, os ridículos
que contam piadas sem graça
fazem poemas sem rima
não dão a volta por cima
eu tenho vergonha.
Quando voltas as costas
a nós, os carentes
que mendigam conforto
gestos de apreciação
restos de afeição
eu tenho vergonha.
Sim
eu tenho vergonha!
Ah, mas não de nós
os desprezíveis
os ridículos
os carentes.
Eu tenho vergonha
- e quanta vergonha! -
de ti.

©Dalva Agne Lynch

 

http://www.dalvalynch.net/

 

 

Música: Lovers Lullaby mid

 

 

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