CIRANDA TRISTEZA

PARTICIPANTES:

1 - Sá de Freitas
2 - Cleide Canton
3 - Carmo Vasconcelos
4 - Humberto Neto
5 - Eugénio de Sá
6 - Maria Luiza Bonini
7 - António Zumaia
8 - Efigênia Coutinho
9 - Jorge Linhaça
10- Adélia Mateus
11- Nídia Vargas Potsch
12- Ligia Tomarchio
13- Humberto Soares Santa
14- J.R.Cônsoli
15- Lauro Kisielewicz
16- Naida Terra
17- António Cícero da Silva
18- Roze Alves
19- Susana Mendes
20- Luíza Benício
21- Luiz Poeta

***

*Inicitiva: Sá Freitas
*Coordenação: Carmo Vasconcelos

1 - DESAFIO-TE... TRISTEZA
Sá de Freitas

Vai tristeza... pois eu não te tolero,
Um segundo sequer cá do meu lado...
Se me entregar à ti serei levado
Bem longe da alegria... Isso eu não quero.

A custos queres sufocar meu canto;
Queres matar a paz que me rodeia;
Queres fazer minha existência feia
E queres transformar meu riso em pranto.

Mas não conseguirás...Tenho certeza,
Pois em tudo procuro achar beleza
E nela sufocar meus tristes ais.

Se eu ficar triste a dor não vai embora,
Se a dor permanecer minh'alma chora
E se a alma chorar... eu sofro mais.

***

2 - DESAFIO-TE, ALEGRIA
Cleide Canton

Vem agora, retalho de alegria,
vem depressa, liberto e despertante.
No vagar desta dor, que me é constante,
não mais quero o abraçar da nostalgia.

Não recuses, suplico, este clamor.
Vem deitar no meu sangue a ousadia,
pois não posso perder um outro dia
entre espinhos que ferem meu amor.

Ao chegares terei de volta a calma,
sorrirá novamente esta minha alma
no prazer de cantar em Lá Maior.

Só me falta sentir a brisa amena
solfejando no cáos da velha cena
pois acordes da vida sei decor.


SP, 29/04/2009
10:50 horas

***

3 - RENEGO-TE TRISTEZA!
Carmo Vasconcelos

Não há cousa nem ninguém que destrua
Esta alegria nata que em mim mora
Foi-me insuflada numa santa aurora
Ânima que rogo a Deus sempre flua

Vejo a tristeza como um passarinho
Que perdeu o rumo, asa derrubada
Ou seu ninho tombou em derrocada
Com os filhinhos mortos no caminho

Enquanto eu tiver asa para voar
Meu ninho caloroso em pouso certo
Meus filhos junto, de coração perto...

Jamais a tristeza vai-me alcançar
E mesmo na passagem derradeira
Será minh’alegria a companheira!


Lisboa/Portugal
30/Abril/2009

***

4 - TRISTEZA
Humberto Rodrigues Neto

A mesma dor, o mesmo nada em tudo,
uma ânsia funda de morrer, chorar;
na alma engasgado um sentimento mudo,
e em tudo o nada de um vazio lunar...

A fronte baixa... nas feições o agudo
vinco das rugas, a testemunhar
que o sofrimento está afinal desnudo
na dor que franze o meu semblante e o olhar...

Olhar a tanto, habituado ao pranto,
e à dor há tanto tempo acostumado,
que nem teus nãos me causam medo ou espanto!

E já nem sei, a este martírio atado,
se o que mais dói é ter te amado tanto,
ou se dói mais o não ter sido amado!


São Paulo-Brasil

***

5 - NÃO FINJAS MAIS, TRISTEZA
Eugénio de Sá

Soube-te divagando por aí
minha tristeza, doce e peregrina
brincas de dia, como uma menina
mas sabes que eu à noite estou aqui.

Cais-me nos braços mal a luz se esgota
E a rebeldia já te abandonou
Buscas então nos mimos que te dou
encontrar neles os sonhos de garota.

Mas desgraçadamente não os tenho
pois esta minha dor não tem tamanho
nem medida, nem fim, nem horizonte

E assim, minha tristeza fica aqui
repousa mas não sonhes, que eu bem vi
que fingias dormir, vi-te na fronte!


Lisboa/Portugal


***


6 - FINJAS TRISTEZA, POETA!
Maria Luiza Bonini

Ao fingires a dor que, deveras, sentes
Estás revigorando a força do poeta
Se saudares a alegria, por de certo, mentes
No intento de dissimular a dor secreta

Ao fingires a dor que, deveras, sentes
À inspiração que está em ti, despertas
Alimentando o amar que há em ti, latente
Para que a tristeza e a dor fiquem alertas

Ao fingires a dor que, deveras, sentes
Abortas de ti toda a tristeza
Passas a alimentar da alegria toda beleza

Ao fingires a dor que, deveras, sentes
Asperges ao mundo um cantar tocante e uno
Eleva-nos a devaneios d'um belo poeta, em testemunho

***

7 - ÉS UM POBRE E TRISTE POETA
António Zumaia

São tão pobres meus poemas,
de versejar… coitadinho.
É nestes simples dilemas,
que se vê ser pobrezinho.

Poetas que são eleitos,
da tristeza fazem luz…
Nestes sonetos perfeitos,
a tristeza até seduz.

Cala e lira Trovador
e não fales de tristeza.
Canta antes o amor
e fica em tua pobreza.

( Perdoem a brincadeira…)

Sines/Portugal


***

8 - FALO SÓ DE ALEGRIA
Efigênia Coutinho

Falo somente de alegria
ela se estende á minha
volta, acima, á direita,
á esquerda, á minha frente
e trás de mim, dentro e
por fora de minha alma.

Falo somente de alegria
com os olhos bem abertos
vendo-a tomando corpo
dando vida a minha vida
Ela é bem-aventurança
neste mundo em que vivo!


Balneário Camboriú
Maio 2009.

***

9 - DESCULPA-ME, TRISTEZA
Jorge Linhaça

Eu que em teus braços já adormeci
Hoje desperto em nova aurora
Vai-te, Tristeza, retira-te agora
Pois já não quero estar perto de si

Entre os meus sonhos a Paz conheci
E apaixonei-me por essa senhora
Adeus, Tristeza, não faças demora
Põe-te pra fora! Não quero-te aqui!

Peço desculpas a ti, triste dama
Por ser tão brusco neste meu querer
Mas hoje a Paz, minh'alma inflama

Cansei-me de estar contigo a sofrer
Vê! Mais além já um outro te chama,
ao pé da cama ...pra te conhecer.

***

10 - TRISTEZA
Adelia Mateus

Enganando a tristeza
Não me deixo abater
No brilho das estrelas
Procuro seu olhar.

Sonho acordada
Que um dia você chegará
Para ocupar este vazio
Que habita neste coração.

Nesta procura sem fim
Vivendo apenas de ilusão
Espero um dia sentir
A emoção de um grande amor.

Deixando a tristeza de lado
Quero voltar a sorrir de alegria
Com todo amor e carinho
Que tenho para lhe dar.

***

11 - DEIXE-ME LIVRE, TRISTEZA!
Nídia Vargas Potsch

Até o fundo de minh´alma
criastes incertezas, multiplicastes dores,
Perplexa, observei te instalares
com única dona do meu viver ...
Nesses parâmetros dividosos
ao me atormentar continuamente,
pedi clemência aos céus,
que ouvissem meu lamento de pesar
de abatimento, de desgosto, de afição.
E mais uma vez falhastes
e fostes derrotada em teus intentos ...
Numa dança atrapalhada
ao impedir teus avanços
enclausurada entre paredes
de emoções contraditórias,
desvencilhei-me do teu jugo, por fim ...
E inundada de vibrantes sensações,
por investidas que não deram certo,
Voltarei a poetar livre, decerto,
apartada de ti, sem mais amarras ...


Rio de Janeiro, 01/05/2009


***

12 - FLOR DA TRISTEZA
Ligi@Tomarchio®

Quanta melancolia degustei
osfrésica que sou,
todos odores da tristeza senti
pensei que fossem flores...

Rasgado coração
sem esperança de um grão apenas
da semente da alegria
chorava em vão
lágrimas de sangue.

Abissal futuro insano
da terra levarei nem o nome
apenas escaravelhos irão me reconhecer
saboreando minha derrota.

Devotada insanidade do poeta
escreve as palavras sem entendê-las
ou as percebe absurdas
e persiste na solidão do anonimato.

Não vou falar de amor e salvação
procurar ainda é o sonho
no inconsciente já cônscio
desdenha os saberes da alma
procura os mistérios do ser.


São Paulo/SP

***

13 - O CANTO DO CISNE
Humberto Soares Santa

Quem é poeta canta em sofrimento,
Qual cisne que na hora pressagia
A morte e cantando, anuncia
O doloroso e fatal momento.

Que canto é esse se te falta alento ?!...
Poeta triste... cisne em agonia !...
Porquê esse exaltar, essa fobia
Que rege o teu cantar no teu tormento ?...

No meu jardim, eu sofro e no meu canto
Rabisco um papel que me sobrou
Molhado pelas lágrimas do pranto

Que um poeta em mim, só por mim chorou.
O sol vai-me fugindo e entretanto,
Um cisne, bateu asas e cantou !...


Cotovia/Portugal

***

14 - CONSTERNAÇÃO
J.R.Cônsoli

A chama se apagou, e entre a fumaça,
teu vulto, aos poucos, desapareceu...
do vinho que bebi caiu-me a taça,
o dia da minha vida, escureceu.

As horas passo, olhando a natureza,
a procurar na flor o teu perfume,
buscando tua luz, qual vaga-lume,
no seu acende-apaga de incertezas.

O tempo passa... dias, meses, anos,
mas não afasta as pedras do caminho,
e cada vez me deixa mais sozinho.

Os meus ouvidos se tornaram moucos,
a luz do meu olhar definha aos poucos,
ondas revoltas só me causam danos.

***

15 - TRISTEZA...
Lauro Kisielewicz

Sentado na cadeira de embalo,
Olhar perdido... eu me calo,
Só esperando o tempo passar,
Sem nada pensar, nem esperar...
Há em mim, um vazio imenso,
Tão grande que às vezes penso
Que o universo todo me invadiu
No momento que meu sonho ruiu...
Juras de amor foram desfeitas,
E nossas promessas quebradas,
Pequenas lembranças apagadas,
Das nossas vidas imperfeitas,
Sonhávamos com naturalidade,
Seríamos felizes de verdade...
Tínhamos sonhos maravilhosos!
Vivíamos momentos deliciosos!
Sem nada querer de realeza...
Você partiu; e fiquei sem graça...
O nosso amor virou fumaça...
Hoje, resta apenas a tristeza...

02/Mai/2.009

***

16 - AH! TRISTEZA...
Naida Terra

Me faz viver alucinada,
só vejo gente desesperada
gritando por ser apedrejada
pela vida desenfreada...

Ausência de amor na multidão,
só vejo gente doente pelo chão
implorando ajuda de um irmão
que só se importa com seu pão...

Cansada de ver passar o tempo,
sentindo o cheiro infeliz do vento
que um dia serviu-me de alento,
hoje me mata em passo lento...

Ah! tristeza, não quero teu canto,
nem teu cativeiro sem encanto,
só quero um quente manto
p'ra não morrer por desencanto...

***

17 - DIREÇÕES OPOSTAS
Antonio Cícero da Silva

Após um desentendimento
quando falamos palavras sem nexos
fomos um para cada lado,
mas fiquei muito abalado.
Sei que sou o culpado,
por movimentos tão corriqueiros
por proezas sem aconchegos,
que formaram em nós, tristonhos
sentimentos...
e em direções opostas,
passamos a andarmos...
e por muito nos distanciarmos,
já não consigo encontra-la.
A saudade cresce em mim
e somente agora, entendo o que causei
agora mesmo irei procura-la
e falar que sempre a amei...

***

18 - TRISTEZA!
Roze Alves

Tristeza!
Mantém-se cativa dentro de mim
Debato-me, sacolejo a alma
E não vais embora ...
Como a corrente pesada de um algoz,
Me escravizas, colocas-me o capuz do carrasco
Para que eu não te veja a face.
Mas conheço-te por sentir-te a frieza
Ah tristeza!
consomes minhas carnes trêmulas,
Dizimas-me o sopro fraco da esperança.
Melhor deixar que me engulas, sem mais lutar,
Já que da vida não me resta centelha.


RJ: 05/05/2009

***

19 - DE TRISTEZA RECOLHIDA
Ao meu amigo, mastiff Ingles

Susana Mendes

De tristeza recolhida já adormeci.
Se as noites me fazem, ausências de ti, sentir...
Os amanheceres...Ah! Fazem o meu coração sorrir!

O sol, em suas cores, e as flores em seus odores,
sempre inudam-me de esperanças,
pois que, buscando a ti, nas alegres lembranças,
levam do meu coração, todas as mais sentidas dores!

Acontece que, se em mim, há plena confiança,
a minh'alma simplemente, dança!
E assim no corpo, há um refletir de animação e pujança.

É...Pensando bem,
a tua vida, a minha tanto marcou,
e a tua partida, ah! Quanto me abalou!

A ti ainda busco dizer,
que a saudade, dentro de mim,
ficará guardada pra sempre,
e olhar outros cães, só me faz muito,
entristecer!

***

20 - TRISTEZA
Luíza Benício

Como não consentir que a tristeza
Invada meu coração
Tornando-o melancólico,
Tétrico ou taciturno?

É bem difícil por certo
Fugir dos acontecimentos
Que a toda hora, insistentes,
Nos amofinam.

Num sombrio passatempo
Nos debatemos aflitos
Com as notícias sempre tristes
Vindas dos meios de comunicação!

São notícias de enchentes,
Que destroem até as pontes
Ficando as pessoas sem meios
De proteção!

E surgem mais conseqüências,
Incêndios, aluvião;
Ventos fortes, destruindo
Sem complacência o cristão!

***

21 - ESSES VAZIOS DO MEU CORAÇÃO
Luiz Poeta

Meu coração tem solidões intensas
Que independem dessa multidão
Aleatória ao que o silêncio pensa,
Quando o silêncio é pura emoção.
Eu observo o mar... tão sem navio
E sinto o frio de uma onda vaga
Sobre a mudez do meu olhar...sombrio
Mirando o brilho...frio...de uma adaga.
A vida dói,mas eu disfarço e rio
Desses vazios do meu coração,
Riscando um sonho dentro do vazio
Que me projeta em outra dimensão.
Reflexivo, quando estou sozinho,
Busco um carinho, e o meu conforto
É refazer no mar, o meu caminho,
Mas meu navio... nunca sai... do porto.

Luiz Gilberto de Barros
Às 5 h e 30 min do dia 18 de outubro de 2007 do Rio de Janeiro

***

 

  Música: Canção do Tempo, by Madredeus

Imagem: Pintura, by Sá Freitas

 

 

 

 

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Editado por Ligi@Tomarchio®